Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

         Quem vem de Lousada, em direcção a Pias e chega ao lugar do Jogo vira à esquerda e cem metros depois torna a virar à direita, pouco mais de um quilómetro andado passamos pela capela de St.º Ovídio. Se seguirmos sempre e depois da bela ponte românica de Vilela vamos deparar, à nossa esquerda, volvidos uns duzentos metros com a majestosa e bela capela de S. Bartolomeu.

         Outrora a sua romaria dava brado na região, hoje já não se efectua. Os tempos e os homens mudaram, são outros.

         A capela de S. Bartolomeu pertenceu à casa Grande de Vilela até à Implantação de República. Não descortinei a data precisa em que tal aconteceu. Mas aquando da polémica que envolveu a Comissão de culto da capela de St.º Ovídio e a casa de Barrimau, pela posse da dita capela, na muita correspondência trocada nos jornais locais, aparece o excerto em que se afirma que uma certidão passada pelo chefe da Secretaria Privativa da Comissão Jurisdicional dos Bens Culturais que diz: “A Corporação encarregada do culto católico da freguesia do Salvador de Aveleda, districto e diocese do Porto pede a cedência em uso e administração,..., dos bens regulares: Primeiro, Igreja Paroquial com suas dependências e alfaias; segundo, Residência paroquial, quintais e devesa, Capela de S. Bartolomeu, no lugar de Vilela,...[1]

         Logo, foi depois de 5 de Outubro de 1910 que a capela de S. Bartolomeu deixou de ser particular e passou a ser pública.

         Sabe-se também que uma das imagens da capela de S. Bartolomeu foi enterrada, já que as imagens “que fossem encontradas em mau estado, ‘indecentemente pintadas ou envelhecidas’, eram mandadas enterrar nas igrêjas, afastadas das sepulturas dos defuntos, o que aconteceu em 1709, com uma imagem da capela de S. Bartolomeu, de Aveleda,...[2]

        

Algumas Considerações Artísticas.

 

         Foi mandada construir pelos senhores da casa Grande de Vilela, na primeira metade do séc. XVIII. Olha-se para ela e logo se vê aquele aspecto firme e sustentado do barroco, que o seu granito inspira e que o seu óculo confirma.

         A capela, formada por nave e capela - mor, sofreu várias intervenções de preservação e restauro (como é óbvio, telhado - as telhas não são os originais, as grossa paredes de granito já foram rebocadas, etc., etc.), mas a traça original foi mantida.

         É pois uma construção perfeitamente equilibrada em cantaria de junta fitada (não é cheia ou tomada), mas não pintada como é usual, ressalta o cimento e o granito.

         Olhando-a de frente, no seu alçado principal, deparamos com uma fachada granítica, em que as pilastras se elevam até ao entablamento e sustentam praticamente todo o peso do frontão clássico, este com timpano liso, sem qualquer tipo de decoração.

         Porta rectangular - principal acesso à capela - com lintel saliente, em forma de almofada e entre esta e o entablamento aí se encontra o oculo com ferro em quadrados e em vidro claro que amplifica a iluminação natural da capela, em dias de sol.

         Quem olha o oculo de perto vislumbra o que parece ser a imagem de Jesus Cristo na cruz. Tal imagem é única no universo das perto de trinta capelas em estudo.

         No cume do frontão uma cruz assente numa pequena base. O entablamento tem como remate uma pirâmide em cada um dos seus extremos.

         No alçado esquerdo, mais ao menos rente ao chão e com pouca altura e diminuta espessura, encontramos umas alminhas, muito bem conservadas e com um belo fresco, tendo por centro a figura do anjo Gabriel.

         No topo da capela, por detrás do altar, deparamos com a capela - mor, o seu belo retábulo com belas imagens e uma talha nacional (pode-se considerar), já que as suas colunas torsas, salomónicas, falam por si, já que estas também se envolvem com cachos de uvas e por anjos.

         Ao centro do altar encontra-se a imagem de S. Bartolomeu. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1] Ferreira, Alfredo J., A Capela de St.º Ovídio em Aveleda, jornal de Lousada; n.º 1160, 30 de Agosto de 1928, p. 1.

[2] Alves, Natália do Carmo M. M. F., A Arte da Talha no Porto na época barroca, 1986, p.43.



publicado por José Carlos Silva às 08:58 | link do post | comentar

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