Domingo, 1 de Novembro de 2009

1 – Casa de Argonça

 

2 – Proprietário actual/família.

      

      Actual – Vítor Manuel Saldanha Lobo

      Antigo – Adelino Machado de Sousa Meireles

      Apelido – Sousa Meireles

 

3 – Localização.

 

      Lugar – Argonça

      Freguesia – Ordem

      Concelho – Lousada

II – Classificação Formal

 

Casa de Pátio Fechado14                                                 

                                                                                                                                                                        

                                                                                                                   

 

O pátio, na planta de 1948, a Este, não está fechado, mas na de 2005, já se acha completamente tapado, transformando-se numa tipologia bem definida: - Casa de Pátio Fechado, e sendo bem visível, também, a porta de cocheira.

 

 

 

1– Descrição (arquitectónica) dos edifícios.

 

 

A Casa de Argonça, localiza-se na freguesia da Ordem, e é por um portal em ferro forjado que a ela acedemos, sendo o muro a que está adossado em cantaria e rebocado. Percorremos uma alameda até depararmos com quatro estatuetas que simbolizam as estações do ano,15 e só depois vislumbrarmos o terreiro fronteiro à fachada principal.

 

 

 

 

________________________________

 

14 - É uma casa de lavoura “que tem junto a si um terreiro fechado, para onde dão as portas da habitação, cortes e mais anexos, (…). Esse terreiro ou pátio é, muitas vezes, limitado pelos edifícios apenas por um ou dois lados, sendo o restante vedado por um muro baixo. Outras vezes, a tendência é para incorporar o pátio dentro de um conjunto de edifícios, sendo a parte murada, se existe, alta e de pouco comprimento.”OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, GALHANO, Ernesto – o. c., p. 102-103.

15 – Segundo os senhores de Argonça, em meados do século vinte, as estatuetas que representam as quatro estações do ano, foram trasladados do portal da entrada para o portal do terreiro da casa, para evitar eventuais tentativas de furtos.

Como todas as casas nobres, também esta residência, sofreu as mais diferentes transformações ao longo dos tempos, algumas delas ainda em data bem recente, a última das quais em 1990.16

É uma casa organizada à volta de um pátio fechado, com a fachada principal virada a Sul, toda rusticada. No rés-do-chão há duas portadas, uma fresta e uma porta de cocheira, ao centro da fachada (no lintel está insculpida a data: 1753), que permite a passagem para o pátio fechado, e entre as duas portas está adossada uma fonte, que foi ali colocada em 1990, aquando das obras de restauro, e é originária da Quinta de Pardelhos, concelho de Paços de Ferreira. É uma fonte com uma cruz latina que sobrepuja duas volutas, e estas assentam num prato rectangular; tendo ao centro uma carranca por onde saía água para uma taça.

A escadaria, lançada na perpendicular contra a fachada, à esquerda, apresenta volutas na parte terminal, e é um acrescento executado em 199017 O primeiro andar é rasgado por três janelas de peitoril – e pela leitura da silharia, já foram janelas de sacada –, e por uma porta, tendo ao centro desta fachada, um torreão, com duas janelas de peitoril, molduradas, e ao meio, incrustada, a sineta do antigo oratório.18 E a ladear o torreão podemos ver duas pequenas mansardas, com duas janelas de empena. Numa edícula que sobrepuja uma coluna – originária da quinta de Vila Tinta, no concelho de Paços de Ferreira, e datada de 1775 –, encontra-se uma pequena imagem de Santa Teresa, adossada à fachada do primeiro piso, do lado esquerdo.

O rés-do-chão da fachada Oeste, apresenta duas frestas gradeadas, e no primeiro piso cinco janelas de peitoril, simetricamente iguais e obedecendo ao mesmo ritmo, tendo no extremo esquerdo o campanário do antigo oratório, e a fachada Norte, no interior do pátio fechado, é rebocada, e tem três janelas de peitoril. O interior do pátio fechado, tem umas simples colunas em granito. Na fachada Este há duas portas e, entre elas, três janelas de peitoril gradeadas, e junto à primeira porta está, adossado à parede, um tosco banco em granito.

 

 

________________________________

 

16 – Confirmado pelos actuais proprietários da Casa de Argonça.

17 – Informação fornecida pelo Senhor Vítor Manuel Saldanha Lobo, actual proprietário desta casa

18 – Segundo o actual proprietário, em meados do séc. XX, foi transformado em quarto. Existe ainda a sineta na frontaria da casa e o campanário, na fachada Oeste.

 

3 – Estado de conservação.

 

 O seu estado de conservação é aceitável.

4 – Obras/Restauro

       (Datas e que obras foram feitas).

 

 

Em 1990 as fachadas Oeste, Este e Sul passaram a ser rusticadas. A escadaria levou o acrescento do corrimão e das volutas, na parte final, e as jardineiras também foram colocadas na mesma altura. A imagem de Santa Teresa, a edícula e o pedestal, foram ali colocadas nesta mesma época, assim como o adossamento à fachada principal, da fonte, enquanto que em meados do século vinte as estatuetas, que representam as quatro estações do ano, foram trasladados do portal e muro da entrada para o portal e muro do terreiro da casa.

 

 

III – Elementos Iconográficos na construção.

 

 

1 – Cronologia

      (Datas inseridas na construção).

 

      1753 – Lintel da porta principal da fachada nobre.

 

      1775 – Coluna que serve de pedestal à imagem de Santa Teresa.

 

 

IV – Outros dados históricos.

 

       Há uma sineta incrustada na fachada, a meio das janelas do torreão.

 

V – Situação da Casa.

    

    Acede-se à casa de Argonça por um portal de ferro forjado que fica junto à estrada nacional, e o muro a que está adossado é em cantaria e rebocado, com um azulejo que diz: - “Casa de Argonça”. Percorre-se um caminho alcatroado, e antes de penetrar no terreiro fronteiro à fachada principal desta casa, deparamos com quatro estatuetas que representam as estações do ano. No terreiro acham-se vários exemplares com antigas alfaias agrícolas, e espraiando o olhar nas diferentes direcções, podemos admirar, para além da Casa de Argonça, a Casa de Além, a Casa do Ribeiro e mais à esquerda, a Casa de Rio Moinhos.

 

VI – Fontes Primárias/Documentais

 

 

VII – Bibliografia

 

 

 - À Descoberta do Vale de Sousa – Rotas do Património Edificado e Cultural… 2ª Edição. Paços de Ferreira: Editores Héstia. 2002.

- Carta Militar de Portugal – Lisboa: Edição do Instituto Geográfico do Exército. Escala 1: 25 000. Série M888. Penafiel. Folha 112. Lisboa: Edição 4 – IGE. 1998.

- História das Freguesias e Concelhos de Portugal – Edição do Jornal de Noticias e da Quidnovi. Vol. 9. 2005.

- Jornadas Europeias de Património. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada, Setembro de 2003.

- LOPES, Eduardo Teixeira – Lousada e as suas freguesias na Idade Média. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 2004.

- Lousada – Terra Prendada – Lousada: Edição Câmara de Lousada. 1996

- NÓBREGA, Vaz – Osório da – Pedras De Armas Do Concelho de Lousada. Porto: Edição da Junta De Província do Douro Litoral. 1959.

- OLIVEIRA, Rosa Maria – Portões e Fontes do Concelho de Lousada. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 2003.

- O Nosso Concelho – Lousada. Lousada: Edição Empresa Editora. 1998.

- SILVA, José Carlos Ribeiro da – As Capelas Públicas de Lousada. Tese de Seminário em Património Artístico. Universidade Infante D. Henrique (Policopiada), 1997.

- SILVA, José Carlos Ribeiro da - In A Casa Nobre No Concelho de Lousada, FLUP, 2007

 



publicado por José Carlos Silva às 13:07 | link do post | comentar

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