Sábado, 7 de Novembro de 2009

Quem vem de Lousada (centro da Vila) e toma a estrada de Arcas - Boim em direcção a Meinedo, após o Cruzeiro (apesar das moradias que tapam a visão), cem metros volvidos vai deparar com o Monte de S. Jorge. Se se aventurar até ao alto, até ao cume, irá encontrar a Ermida de S. Jorge, actualmente ampliada. Ainda há pouco mais de seis anos era uma pequena e linda capela em granito do séc. XVIII. Em 1990/91, fizeram-lhe um acrescento no mais puro betão da modernidade.

É em Abril que se realizam as festas em sua honra.

S. Jorge é o Santo dos animais. Era (e é, só que cada vez menos) benzer os bovinos durante a missa solene da romaria em sua honra.

 

Algumas Considerações Artísticas.

 

A capela, formada por uma nave e capela - mor. A capela - mor, do séc. XVIII, primeira metade, e a nave, nova, da década de 90, moderna, a de betão.

Ao longo dos anos foi sofrendo intervenções, a última que lhe escondeu a maior parte das suas potencialidades arquitectónicas, foi em 1991/92.

Não consegui saber ao certo a data da sua construção, pelas características que apresenta - a ermida primitiva - é do séc. XVIII, o acrescento em betão é de 1991/92 e quase que “matou” a beleza da pequena ermida setecentista.

Está bem preservada.

Quem fez este último restauro e ampliação foi uma das Comissões das Festas de S. Jorge e na nova “torre” ficou gravado esse gesto. Este gesto pode entender-se como a afirmação de prestígio daqueles homens na comunidade local.

A análise artística tem que ser feita em três tempos distintos: - do seu todo, da ampliação moderna e da estrutura primitiva.

Se olharmos actual alçado principal - na direcção sul - veremos uma fachada em betão, ferro e vidro.

A meio da fachada principal deparamos com a estrutura - horizontal - de ferro e vidro. O portal de entrada é sobrepujado pela parte terminal da cruz, esta inicia-se no próprio portal (na justa junção do mesmo).

Este alçado principal - a sul - é a expressão artística da modernidade actual.

Olhando-se melhor, vislumbra-se a cruz luminosa que se encontra mesmo à frente do alçado norte, numa “torre” plena de modernidade e também em betão. O alçado direito deixa-nos ver uma parede em betão cortada a meio e na horizontal por uma estrutura em metal e vidro, e esta não atinge a parte total desta nova nave, havendo um espaço que remata, mas só em betão. O encontro da nova estrutura em betão com a fachada principal da ermida de S. Jorge (séc. XVIII) é feito através de uma meia - lua em betão, havendo a parte plana - tipo espelho - em ferro e vidro.

Esta estrutura em ferro e vidro funciona como veículo de iluminação natural da moderna nave da capela de S. Jorge.

Este alçado dá-nos ainda a visão de parte do seu frontão, e no seu topo, assente numa base em granito, uma cruz que encima aquela que era a fachada principal da Ermida de S. Jorge, que deixou de ser vista, mas que não desapareceu. Quem entra no Templo logo vê a antiga fachada que dá acesso à nave primitiva.

É também visível o aparelho granítico, o telhado de uma água, as pedras de juntas tomadas, já foram rebocadas. Assim como se vê, parte do frontão do alçado norte, a sua cruz em base granítica e o remate do entablamento em pirâmide de cantaria trabalhada.

Igualmente se vê a parte superior da “torre” em betão, com coreto, e no seu topo uns altifalantes que dão as horas, e mesmo no cume uma artística cruz em fibra branca que se ilumina durante a noite.

Quem olha o alçado esquerdo tem a mesma visão da actual ermida que foi referida para o alçado direito.

O alçado norte dá-nos uma perspectiva algo contrastante.  

Mesmo à sua “frente” temos uma “torre” em betão, assente numa “almofada”, numa base, com dois degraus, “torre” que tem uma balaustrada em betão, perto do seu topo, altifalantes e uma artística e branca cruz na sua parte final e que tem por base os altifalantes, servindo esta para iluminar o Monte de S. Jorge e tranquilizar e espírito de todos aqueles que residem em Boim. Nesta torre, quase na base em letras douradas “Fundadores, Comissão de Festas S. Jorge - 1992.”

Olhando-se em frente depara-se com o alçado norte da antiga ermida em cantaria de junta tomada. Não se consegue ver a cruz que encima o frontão (é completamente tapado pela “torre” em betão). Vê-se sim que o remate do entablamento é feito por duas pirâmides em granito e trabalhadas em extremos opostos.

Quem olha, a partir do alçado norte, vê na perfeição, o equilíbrio do “encaixe” da meia-lua em betão, com a fachada principal da ermida primitiva.

Quem olha a capela de S. Jorge de Boim tem um “choque”. Ao primeiro olhar, até parece que quem perdeu foi a antiga Ermida. E “perdeu”. A nova estrutura oprime o seu real valor arquitectónico. Mas por outro lado quase que obriga os romeiros, turistas e estudiosos a olharem com mais atenção a ermida em cantaria que faz com o betão uma dinâmica e um dualismo contrastante.

 

 

 

 

 

 

 



publicado por José Carlos Silva às 15:53 | link do post | comentar

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