Sábado, 14 de Novembro de 2009

O Concelho de Lousada na segunda metade do século XVIII.

 

  Caracterização geral do concelho.

 

 A 1 de Novembro de 1755 eram doze as freguesias que constituíam o concelho de Lousada, sendo que à Diocese de Braga pertenciam as freguesias de Santa Maria de Alvarenga, S. Salvador de Aveleda, S. Tiago de Cernadelo, Santa Margarida, S. Miguel de Silvares e S. Miguel de Lousada. As freguesias de S. Vicente de Boim, S. João Evangelista de Nespereira, St.º André de Cristelos, Stª Marinha de Lodares, S. Lourenço de Pias e S. Salvador de Novelas, faziam parte do Bispado do Porto.

Administrativamente, à comarca de Penafiel estavam afectas as freguesias de S. Vicente de Boim, Cristelos, Lodares, Novelas e Pias, e à comarca de Braga, as freguesias de Alvarenga e Aveleda. Da comarca de Barcelos eram as freguesias de Cernadelo e Nespereira. S. Miguel fazia parte dos concelhos de Lousada e de Unhão, e à correição de Barcelos estavam sujeitas as freguesias de Boim e Santa Margarida. A freguesia de Silvares fazia parte da comarca de Guimarães.

A produção agrícola, tal como a criação de gado eram transversais ao conjunto das freguesias, a saber: milho grosso ou milhão, milho branco miúdo, centeio, trigo, painço, feijões brancos, pretos, pardos e fradinhos ou galegos, vinho verde, de enforcado, azeite, frutas; e ovelhas, porcos e aves respectivamente.92

O concelho de Lousada não tinha correio próprio, pelo que a maior parte das freguesias utilizava o que passava pela Vila de Arrifana de Sousa,93 enquanto, por exemplo, Alvarenga94 se servia do que vinha de Celorico de Basto. No conjunto, o trajecto final era idêntico - de Arrifana de Sousa para a cidade do Porto.

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92 - I. A. N. /T. T.- Dicionário Geográfico, 1758, vol. 35, fl. 1230. Cf. MAIA, Fernanda Paula Sousa - O Mosteiro De Bustelo: Propriedade E Produção Agrícola No Antigo Regime (1638 - 1670 e 1710 - 1821). Porto: Movilibro, 1991, p. 34, Revista de Lousada 2 - In Suplemento Ao Jornal Nº 321 TVS-TERRAS DO VALE DO SOUSA -5 de Março de 1991, fl. 21.

93 - “Foi no dia 7 de Outubro de 1741 que o Lugar d’ Arrifana de Sousa entrou na posse da perrogativa de Villa.” D’ ALMEIDA, António - o. c., p. 47.

94 - “Tem ou servece do correio que vai nas quintas feiras de Basto para o Porto, e vem do Porto nos domingos e passa pela estrada entre os limites desta freguesia e santa Crystina de Nogueira.” I. A. N. /T. T. - Dicionário Geográfico, 1758, vol.3, fl. 300.

As Memórias Paroquiais referem que este concelho gozava de certos privilégios, aliás plasmados em duas delas: Cernadelo e Silvares. Em relação à primeira - Cernadelo: “Tem este concelho de Louzada os previlegios de não vir a elle soldados dar verde aos caballos.95 Quanto à segunda - Silvares: “Tem esta freguezia, e todo o concelho de Louzada, os previllegios da serenissima Caza do Estado de Bragança que concedem que os moradores desta freguezia como vassallos da Serenissima Real Caza de Estado de Bragança nam sejam compelidos para diante de outro algum juizo, e so podem ser compelidos para diante do juis ordinario deste concelho, nem pode sahir daqui cauza alguma ou seja de materia civel, ou seja de materia crime e sentenciadas as cauzas pelos juis deste concelho podem ser avocadas por appelaçam para o auvio supperior da Ouvidoria da villa de Barcellos, e do juízo da Ouvidoria da villa de Barcellos, vam appellados para a Relação da Cidade do Porto. So sim gozam o privillegio de poderem ser compelidos para o juízo das alçadas novas da Relaçam da cidade do Porto sendo autores os muito pobres, e tambem mossas donzellas e viuvas.96

Dois eram os rios que cruzavam este concelho: o rio Sousa, que nascia no lugar de Lamas - Margaride, no concelho de Felgueiras, desaguando no rio Douro; 97 e muito perto da capela de Santa Águeda, brotava o rio Mesio, com foz no rio Sousa, no lugar de Souselinha.98 Nenhum deles era navegável. Nas suas margens podiam encontrar-se vários tipos de árvores como salgueiros, amieiros, castanheiros, carvalhos e vides de enforcado. O uso da água era livre tal como a pesca;99 esta com uma variedade relativamente restrita, mas que se alargava a trutas, bogas e escalos. A pesca ao barbo só se fazia no rio Sousa, enquanto que a da lampreia era exclusiva do rio Mesio. Estes dois rios tinham os seus afluentes.

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95 - I. A. N. /T. T. - Dicionário Geográfico, 1758, vol.10, fl. 1875.

96 - I. A. N. /T. T. - Dicionário Geográfico, 1758, vol.35, fl. 1231.

97 - “Passa pellas margens desta freguezia pela parte do Nascente o rio chamado Souza, (…). Cria trutas, vogas, escallos, e alguns barbos. Em todo o anno se pesca, excepto nos meses proibidos. Este rio passa por entre prados cultivados com seus arvoredos ao redor, como são salgueyros, amieyros, castanheyros, e carvalhos, com suas vides que dão vinho verde (…). Morre no rio Douro no sitio a que chamão Entre ambos os Rios, (…). Uzão livremente os moradores desta freguezia da agua deste Rio...” I. A. N. /T. T. - Dicionário Geográfico, 1758, vol.5, fl. 854.

98 - I. A. N. /T. T. - Dicionário Geográfico, 1758, vol.5, fl. 854.

99 - I. A. N. /T. T.- Dicionário Geográfico, 1758, vol.5, fl. 854.

O regato do Fontão deslizava por entre as freguesias de Cristelos e de Silvares, de Nascente para o Poente. Era um curso de água pouco caudaloso, que nascia na serra do Calvelo, na vizinha freguesia de S. Miguel de Silvares e desaguava no Rio Mesio.100 Teria de comprido meia légua.101

As freguesias de Alvarenga e de Santa Margarida tinham diversas fontes de águas,102 por sinal muito apreciadas, ainda que nelas não fossem conhecidas quaisquer virtudes medicinais.103

 

 

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100 - “Com movimento vagarozo corre pelo meyo desta freguezia [Casais] (…) o rio chamado Mezio, que tem seu nascimento no fundo da Serra de Barrozas, no distrito da freguesia de Souzella (…). Nasce do centro e fundo da dita serra (…). Reforçasse sua corrente a hum coarto de legoa na freguesia de S. João de Covas, com outro regato igual (…) chamado aly Rio de Muinhos, e junto daly athé onde entra no Rio Souza, se vay augmentando por onde passa com mananciais lemitados, que o constituhen rio piqueno, mas muyto aprazivel em seu curso, que em qualquer parte se atravessa de cavallo, mas náo de pé, sem molhar ambos os giolhos, em largura de 40 athé 50 palmos. (…) Entra no rio chamado Souza, entre as freguezias de Bittarais, e da Villa de Arrifana de Souza, e donde nasce athé que finaliza, corre em distancia de duas legoas. Em toda a sua extençáo tem asudes em que se repreza agoa para muinhos, e para regar. Tem somente muinhos de milho. Uzáo os cultores livremente de suas agoas. (…) Corre por 9 freguezias: Souzella, Sáo João de Covas, Santa Eulalia, Christellos, Sáo Payo, Novogilde, Beyre, Lodares, Bittarais.” I. A. N. /T. T. - Dicionário Geográfico, 1758, vol. 10, fl. 1588.

101 - I. A. N. /T. T. - Dicionário Geográfico, 1758, vol.35, fl. 1229.

102 - “Tem varias fontes de cristalinas agoas, com virtude natural mas nellas não se conhece especialidade digna de relação.” I. A. N. /T. T. - Dicionário Geográfico, 1758, vol. 21, fl. 1316.

103 - “Não nasce rio della mas varias fontes para todas as partes e de bonnas agoas, como são as da fonte de São Christovão da Freguezia de Santa Maria de Souzella e estas com virtude pella devocção do ditto Santo, aonde na véspera deste dia concorre muita gente a tomarem banhos em a dita agoa.” I. A. N. /T. T. - Dicionário Geográfico, 1758, vol. 21, fl. 1316.

 SILVA, José Carlos - In A Casa Nobre No Concelho de Lousada

 



publicado por José Carlos Silva às 09:40 | link do post | comentar

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