Sábado, 14 de Novembro de 2009

Freguesia de Santa Maria de Alvarenga.

 

Situada num vale104, a duas léguas de distância do lugar do Torrão, contava com doze lugares: Igreja, Cabo Vila, Além, Bairro, Bouça, Cunha, Costa, Rabada, Feira, Herdade, Carris e Casatermo. Alguns deles só tinham um casal. Confrontava de Norte a Nascente com as freguesias de Santa Margarida, S. Miguel e S. João de Macieira; a Sul com Santa Cristina de Nogueira; a Poente com S. Miguel de Silvares; e de Poente para Norte a Serra do Calvelo.105

Era da comenda do Marquês de Angeja, tinha quarenta e dois fogos e cento e quarenta e dois habitantes e tinha fracos recursos,106 sendo os rendimentos da igreja insuficientes. E por essa mesma razão o abade de Santa Maria de Alvarenga, José Álvares da Silva, lamentava-se das dificuldades com que vivia.107

Na igreja existiam duas confrarias: a da Senhora do Rosário e a do Menino Deus, que promoviam festejos em honra desses titulares. A festa do Menino Deus realizava-se a 25 de Dezembro, e a romaria da Senhora do Rosário a oito de Setembro, no mesmo dia da Padroeira. Havia ainda a romaria de S. Lourenço, no lugar de Baixo.108

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104 - “Está cituada na cabeceyra de hum vale, depois de hum monte, donde se descobrem várias freguesias para a parte do Nascente, (…).” I. A. N. /T. T.- Dicionário Geográfico, 1758, vol.3, fl. 297.

105 - I. A. N. /T. T. - Dicionário Geográfico, 1758, vol.3, fl. 297.

106 - “ Santa Maria de Alvarenga, freguesia na Província de Entre Douro e Minho, Arcebispado de Braga, Comarca de Barcellos, Concelho de Louzada. He reytoria da mytra; o parocho tem quarenta mil reis. He patrimonio da Ordem de Christo, em cujo livro anda com o titulo de comenda. Rende ao comendador, com a annexa de Villa-Garcia, cento e oitenta mil reis. Tem dezasseis vizinhos. He anexa a esta freguezia a de Santiago de Cernadello, cujo vigário he apresentado pelo reytor desta.” CARDOSO, P. Luiz - Diccionario Geografico ou Noticia Histórica de Todas as Cidades, Villas, Lugares e Aldeas Rios, Ribeiras, e Serras, dos Reynos de Portugal … Tomo I, Lisboa: 1747, p, 388. Cf. I. A. N. /T. T. - Dicionário Geográfico, 1758, vol.3, fl. 297.

107 - “ (…) de lemitados rendimentos porque a congrua he lemitada e o pe do altar muyto tenue porque os moradores são poucos.” I. A. N. /T. T.- Dicionário Geográfico, 1758, vol.3, fl. 297.

108 - Tem esta igreja duas confrarias, huma da Senhora do Rosario fundada no altar colateral da mesma Senhora, fica esta para a parte de entre poente e Norte; outra do Menino Deos, funda no outro altar colateral dedicado ao mesmo Menino Deos, e fica para aparte do Sul; fazendo as festas destas confrarias, a do Menino Deos dia do Seu santo nascimento, ou das oitavas; a da Senhora a oyto de Setembro, uniforme; e junto com a da padroeira; (…).” I. A. N. /T. T. Dicionário Geográfico, 1758, vol. 3, fl.298.

Na serra do Calvelo qualquer um podia “montear e cortar mato,” e nesta havia raposas, lebres e perdizes. 109

 

 Freguesia de S. Salvador de Aveleda.

 

Localizada num vale rodeado de povoações, confinava com as freguesias de Caíde e de Alentém, que estavam “alem do Rio Souza para a parte do Nascente;110 a Norte fazia fronteira com as freguesias de S. João de Macieira e de Santa Cristina de Nogueira; a Poente com a freguesia de S. Miguel de Silvares; a Sul limitava com a freguesia de S. Lourenço de Pias. Aveleda ficava a menos de meio quarto de légua da sede do concelho e pertencia a três termos: Lousada, Unhão, e Santa Cruz.111 Era constituída pelos seguintes lugares: Paiva, Barroca, Pontesinhas, Vila Nuste, Encosta, Vila, Barrimau, Agrela, Lamas de Baixo, Lamas de Cima, Palhais, Covo, Casal, Casais Novos, Lama, Barrelas, Cartão, Mourinho, Gens, Aveleda, Almenta, mas muitos destes lugares só tinham um ou dois habitantes.112 Tinha cento e vinte e quatro fogos e quatrocentos e setenta e cinco moradores, e a igreja era abadia de apresentação da Casa de Bragança.113

 

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109 - Na serra do Calvelo podiam ”montear e cortar mato; esta he de natureza fragosa e os matos são piquenos a que o vulgo chama queyro, alguns carqueja, mas pouco, se criao algumas raposas, lebres e perdizes mas tudo em pouca quantidade. I. A. N. /T. T. Dicionário Geográfico, 1758, vol 3, fl.231.

110 - I. A. N. /T. T. - Dicionário Geográfico, 1758, vol. 5, fl. 847.

111 -“Esta freguezia dividesse para trez concelhos a saber para o concelho de Louzada que domina a maior parte della; para o concelho de Unhao e para o concelho de santa Crus, e nestes trez concelhos ha em cada hum delles juiz ordinario, e camaras sogeitas ao Governo das Justiças da Relação do Porto.”I. A. N. /T. T. - Dicionário Geográfico, 1758, vol. 5. fl. 847.

112- I. A. N. /T. T. - Dicionário Geográfico, 1758, vol. 5, fl. 849.

113 - I. A. N. /T. T. - Dicionário Geográfico, 1758, vol. 5. fl. 847. Cf. COSTA, Américo - o. c., p. 1126.

SILVA, José Carlos - In A Casa Nobre No Concelho de Lousada



publicado por José Carlos Silva às 09:44 | link do post | comentar

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