Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

 O Cruzeiro Paroquial Edificado no meio de um alto e sobranceiro entroncamento, no lugar do Cruzeiro e aproximadamente a duzentos metros da Igreja matriz. Este belo Cruzeiro é propriedade da Igreja Católica. Construído em granito. Desconhece-se a data da sua construção. Está em bom estado de conservação. A cruz é ponteada. O fuste é octogonal, assenta numa base e termina num capitel singelo. O pedestal é constituído pela cornija e pelo dado cúbico. No dado há incisões indecifráveis. A plataforma é quadrangular e tem três degraus. O Cruzeiro do Cemitério Situa-se a meio do muro do topo nascente do Cemitério, no lugar da Igreja. É propriedade da Junta de Freguesia de Cernadelo. Construído em granito. Desconhece-se a data em que foi erigido. Está em bom estado de conservação. A cruz é oitavada, tem as arestas diminuídas e faz lembrar a cruz de Cristo. O fuste é octogonal e assenta num dado quadrangular.

SILVA, Leonel Vieira - Os Cruzeiros de Lousada



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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Caíde

 

O Cruzeiro de Pereiras

A freguesia de Caíde de Rei é das maiores do concelho, mas apenas tem um Cruzeiro, que se situa no lugar de Pereiras, a duzentos metros da Igreja matriz.

É um Cruzeiro Paroquial.

É propriedade da Igreja Católica.

Construído em granito no ano de 1940.

Está em bom estado de conservação.

A cruz duplamente aguçada assenta no capitel em forma de anel espalmado.

O fuste é circular.

O pedestal é formado pelo dado cúbico e pela cornija. É no dado que se pode ler a data da construção.

A plataforma é quadrangular e formada por dois degraus.

 

VIEIRA, Leonel Vieira – In Os Cruzeiros de Lousada, U. Portucalense, 2004

 

 

 



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Barrosas (Stº Estêvão)

 

 

 O Cruzeiro de Nossa Senhora de Fátima

 

O Cruzeiro situa-se no Lugar de Perguntouro, em local sobranceiro à Igreja matriz, de onde dista aproximadamente cem metros.

Este Cruzeiro foi edificado em 1941, em frente a uma pequeníssima Capela em honra de Nossa Senhora de Fátima. O espaço envolvente está muito bem cuidado.

É propriedade da Igreja Católica

Construído em granito.

Está em bom estado de conservação.

É um Cruzeiro de cruz.

A cruz é latina e quadrangular e assenta num capitel troncopiramidal invertido.

O fuste sobrepuja na cornija. Dois terços do fuste são circulares, o restante junto à cornija é quadrangular.

O dado é cúbico e tem na sua face central esculpida a data da construção,

A plataforma é quadrangular e tem dois degraus.

 

 

 

VIEIRA, Leonel Vieira – In Os Cruzeiros de Lousada, U. Portucalense, 2004

 

 

 



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Do Rio Sousa

 

Passa pellas margens desta freguezia pela parte do Nascente o Rio chamado Souza, tem seu principio nas Lamas da freguezia de Moure que fica entre Cramos e Pombeyro, em distancia desta freguezia, huma grande legoa. Não nasce logo caudelozo, sim se vem augmentando com as fontes e regatos que descem para elle de huma e outra parte, atte chegar a esta freguezia, por onde já corre bastantemente avultado todo o anno, principalmente no tempo de inverno que sempre vay mais crescido. Não hé navegavel e só em alguns poços altos pode andar nelle algum barco ou batel pequeno. Corre com curso manso e quieto, porem no tempo de inverno quando há cheyas grandes, corre arebatado. Corre de Norte para Sul. Cria trutas, vogas, escallos, e alguns barbos. Não tenho que informar, só que em todo o anno se pesca, excepto nos meses proibidos. Hé comum para toda a pessoa que quizer pescar enquanto nesta freguezia que nas outras por onde passa athé se meter no Rio Douro, como ficao distantes desta não pude alcançar notícia certa para aquy dar informaçoes verdadeyras como se requer o que farão os Parochos das mesmas freguezias. Este Rio passa por entre prados cultivados com seus arvoredos ao rredor, como são salgueyros, amieyros, castanheyros, e carvalhos, com suas vides que dão vinho verde. Não tenho que informar porque não consta tenhão as suas aguas virtude alguma particular. Toma este Rio o nome Souza de hum lugar chamado Souza que fica junto a este Rio, perto do sitio onde se mete no rio Douro e sempre este Rio Souza teve o mesmo nome desde a Ponte da veyga que he onde principia a ser Rio, athe se meter no Rio Douro. Morre no Rio Douro no sitio a que chamão Entre ambos os Rios, como dizem algumas pessoas com quem me informey e outras dizem se mete no sitio de Arnellas.

Património Edificado no Rio Sousa

Não tem no circuito desta freguezia, por onde passa, cachoeira alguma, só tem duas, digo tres açudes que fazem reprezar as aguas para moverem os moinhos que há no mesmo Rio, e estes açudes lhe embaraçarao o ser navegavel se fosse capaz de navegação. Tem huma ponte de cantaria feyta com perfeyção e segurança, e foy feyta por ordem de Sua Majestade que Deos guarde, esta ponte tem tres ilhais e tem de largura dez ou doze palmos e  está situada entre Vilella, e esta freguezia, ao qual lugar de Vilella pertence a esta mesma freguezia eos moradores do dito lugar passao pela dita ponte para a Igreja ouvir missa e assistir aos Oficios Divinos. Serve de passagem aos passageyros que vem de Villa de Conde, e daquellas partes para a Amarante, e para villa Real. Tem mais no circuito desta freguezia dois pontitos, e por qualquer delles só pode passar huma pessoa ao mesmo tempo por serem estreytos hum de pedra a que chamão as poldras de Barrimao que serve de passagem desta freguezia para a freguezia de São Pedro de Cahide; o outro pontito hé de pao a que chamao a ponte da Darconha e serve de passagem desta freguezia para a freguezia de Alentem.Tem huma caza de moinhos no lugar de Prequiam e consta de seis rodas e huma destas he alveyra que moe trigo e estes moinhos São de Manoel Pinto de Magalhaes da caza grande de Vilella e para estes moinhos vay hua grande levada de agua reprezada em hum dos açudes que há no mesmo Rio. Tem mais duas cazas de moinhos cada hum tem duas rodas que estão no sitio de Barrimao, hum destes moinhos hé de Luiz da Costa Guimaraes e outro de António Rodrigues, ambos desta freguezia e para estes moinhos vay amesma Levada de agua reprezada em açude, digo em segundo açude que tem este Rio no circuito desta freguezia. O terceyro açude repreza a agua para outros moinhos que ficão perto daquelles, onde tãobem há huma azenha ou lagar de azeyte, e São de Luis Pinto da freguezia de Alentem. Não tenho que informar. Uzaó Livremente os moradores desta freguezia da agua deste Rio, onde  podem reprezar para limarem e regare seus campos, mas os que mays se aproveytão della saó Luís da Costa Guimaraes do Lugar de Barrimau, e Manoel Pinto de Magalhaes da caza grande do lugar de Vilella porque tem reprezado duas levadas do mesmo Rio para os seuscampos, e não paga pensão alguma. Tem este Rio seis legoas de distancia pouco mais ou menos desde o seu nascimento athe acabar no Rio Douro, e não passa por entre povoações algumas de nome, só por entre alguns moradores da freguezia da Cepeda, segundo a averiguação que pude fazer, assim como dos mais particullares do mesmo Rio, fora do distrito desta freguezia, que os Parochos por onde elle passa, poderão dar informação de sciencia certa.

Memória Paroquial de Aveleda 1758, Maio, 22

I. A. N. T. T. Diccionario Geográfico. 1758, Vol. 5. fl. 847 a 8



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Stº Estevão de Barrosas

 

A Capela do Sr. do Padrão.

 

Situa-se no lugar do Padrão. Lá num alto do monte, tendo já como vizinhos várias habitações, situação impensável há duas décadas atrás.

Todos os anos se realiza uma romaria em sua honra. Romaria essa que é muito concorrida.

Sobre esta capela nada encontrei que pudesse substanciar a minha análise artística.

 

Algumas Considerações Artísticas.

 

A capela é formada por nave e capela - mor. É evidente que ao longo do tempo foi sofrendo intervenções, restauros, ampliações e transformações.

Pela matriz arquitectónica tudo leva a crer que numa primeira fase só tenha sido construída uma pequena ermida, e só posteriormente lhe tenha sido acrescentado a “Segunda” nave, e o seu actual alçado principal. A torre sineira parece-me ser do séc. XVI, já a pequena sacristia que se encontra no alçado esquerdo e na junção da primitiva ermida é bem posterior, como o acrescento posterior da Segunda nave e alçado principal.

É uma capela do séc. XVI - XVII, princípios do séc. XVIII o mais tardar - a data precisa da sua construção e posteriores restauros não consegui descobrir - com uma torre sineira que nos faz lembrar as seiscentistas que nos pode levar a pensar que a capela poderá ter uma data construtiva mais recuada (não tenho dados concretos, e também não me foi possível vislumbrar o seu interior).

O alçado principal é muito interessante. Em cantaria, com junta tomada e fitada a branco. Com pilastras salientes e elaboradas, terminando o entablamento em pirâmides sobrepujadas em bases quadrangulares e trabalhadas. Cada pirâmide tem no seu bico uma bola em granito.

Ao centro da fachada principal um portal em cantaria trabalhada e sobrepujada por almofadas com duas volutas completas. Acima, já no tímpano, uma abertura em forma de losango, em arabesco e já muito perto da junção do frontão, e ainda no tímpano, uma concha rodeada de pequenos símbolos esculpidos.

No cimo do frontão numa base granítica, assenta uma cruz.

A meia altura do portal principal, no seu lado esquerdo e direito, rasgadas na fachada vêm-se duas frestas molduradas, trabalhadas e sobrepujadas por um simples elemento de cantaria elaborada.

A torre sineira - séc. XVI (?) - acoplada no lado esquerdo do alçado principal, tem a mesma altura que a capela, tendo uma parede tapada até ao entablamento da mesma, e depois duas arcadas sobrepujadas por almofada com cruz e duas pirâmides (que terminam numa esfera em granito) em cada uma das extremidades.

A capela tem como acesso um escadório muito ao estilo do neoclassicismo barroco, com pilastras em cantaria elaborada e esculturas de pendor e cunho religioso.

O alçado esquerdo, visto pela retaguarda, mostra-nos uma fresta rectangular na primitiva ermida, uma pequena sacristia (Acrescento posterior) e outra fresta na segunda parede de posterior acrescento.

O alçado direito, para além da pedra granítica de junta tomada e fitada, nada mais há a ressaltar.

Uma pequenina fresta encontra-se no alçado sul.

É uma capela com quatro cruzes, se contarmos com a cruz da torre sineira.

O remate do entablamento é feito por pirâmides com esferas na ponta (são seis na capela e mais duas na torre sineira).

Se a torre sineira permitisse balizar afirmaria que é uma capela do séc. XVI - XVII, mas sem dúvida que é uma capela do séc. XVIII, com influências tardias dos séculos anteriores.

 

 

SILVA – José Carlos, In As Capelas Públicas de Lousada, U. Portucalense, 1997.

 

 

 



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Covas

 

A Capela de N. Sr.ª do Alívio.

 

Quem chega à igreja paroquial, só tem que virar à direita e subir até ao alto e irá encontrar junto ao cemitério de Covas a alva capela de N. Sr.ª do Alívio.

Esta capela já existia em 1914. É que, e segundo o Jornal local a capela da Sr.ª do Alívio, em Covas, “foi alteada e sofreu melhoramentos. Pagos pelo Major Moreira Ribeiro.

E o bispo do Porto autorizou que nesta capela se celebrasse missa.”[1]

 

Algumas Considerações Artísticas.

 

A capela de N. Sr.ª do Alívio é datada - pelo menos - de finais do séc. XIX, já que em 1914 é notícia de um restauro que foi feito - ateamento. E nessa altura deveria de ser uma pequena ermida em cantaria.

Actualmente, é uma construção - que parece ser toda ela em materiais modernos, actuais - rebocada, e pela espessura da parede não é em cantaria. Pintada em branco.

O alçado principal é muito simples, com um portal em arco e porta em ferro, sendo na sua maior parte envidraçada, o que permite uma excelente iluminação do templo.

No frontão, no seu cume, uma artística cruz, em ferro metalizado, encima o templo. Da cruz nasce um artefacto que permite iluminar, exteriormente, o templo.

Três degraus em mármore dão acesso ao portal do templo.

O alçado direito, assim como o esquerdo, apresentam frestas em arco, o que permitem uma boa iluminação do templo.

Templo de linhas simples e sóbrias.

 

 

 

A Capela de N. Sr.ª do Amparo.

 

No princípio do séc. XVIII já existia esta capela em S. João de Covas. A prová-lo lá está um calvário datado de 1723. Julgo que esta capela teve uma reconstrução mais recuada, mas não tive acesso a documentos que me pudessem provar estas suposições. Do primeiro quartel do séc. XVIII é.

“A capelinha de N. Sr.ª do Amparo situa-se no cimo de alta colina...”[2]

Esta capela sofreu várias intervenções, vários melhoramentos, o último dos quais em1996, em que o recinto da ermida foi calcetado, e custou 600 contos.

Do local onde está implantada a capela de N. Sr.ª do Amparo, pode-se apreciar a beleza que nos oferece o vale Mesio.

 

Algumas Considerações Artísticas.

 

A capela é composta por nave e altar - mor, e foi sofrendo restauros ao longo do tempo, o que lhe alterou a traça primitiva.

A ermida - primitiva - era mais baixa. Foi alteada, o que lhe deu um ar de imponência lá no alto da colina. Aliás, quem olhar a actual frontaria verifica que um pouco acima do portal há uma almofada que, porventura, faria parte do edifício primitivo.

Desconheço as datas em que esta capela foi restaurada. Sei que por várias vezes sofreu intervenções, já que algumas delas são visíveis, e em épocas diferentes.

É uma bela e equilibrada construção em cantaria, com a fachada principal em azulejo em padrão, azul, e os restantes alçados rebocados e em branco.

É uma construção de estilo barroco, séc. XVIII, primeiro quartel.

O alçado principal mostra-nos uma frontaria azulejada, em padrão, azul, e com pilastras salientes. O azulejo poderá ser situado no séc. XX, última década.

A meio da frontaria, um portal em cantaria simples e um pouco acima uma almofada em cantaria elaborada. Quer no lado direito, quer no lado esquerdo do portal, duas frestas - pequenas - ajudam à iluminação natural do templo.

A meia altura da frontaria no seu lado direito, vê-se um acrescento em cantaria e em azulejo da mesma origem e matriz de toda a fachada principal. O azulejo deverá Ter sido colocado na frontaria da capelinha ao mesmo tempo que foi feito este acrescento no seu alçado direito.

O remate do entablamento é feito por pirâmides em cantaria trabalhada. E no cume do frontão uma cruz.

Ocupando parte do tímpano e parte superior da frontaria, uma grande e artística cruz de Malta, diz-nos que em outros séculos mais recuados aquelas terras pertenceram à Ordem de Malta.

O alçado direito apresenta um acrescento, que na sua parte principal é azulejada e na restante construção é rebocado. Outras duas construções - Sacristia - mais recentes, rebocadas e sem serem em cantaria.

Logo no início do alçado direito, sobrepujando aquilo que parece ser uma construção que servirá de local de arrumos; uma fresta foi rasgada para permitir a iluminação do templo. Acima desta fresta, tendo por base o entablamento, uma sineira em arco perfeito, sem rins.

Sobrepujando a Sacristia outra fresta aparece rasgando o templo e para a sua iluminação natural.

O alçado direito é rebocado a branco e pode ver-se o que resta de uma imagem de N. Sr.ª do Amparo.

Já o alçado esquerdo tem a cantaria rebocada, um portal, a meio, e duas frestas que permitem a iluminação natural do templo.

Do alçado norte pode-se realçar as pirâmides que rematam o entablamento e a cruz que encima o frontão.

 

SILVA – José Carlos, In As Capelas Públicas de Lousada, U. Portucalense, 1997.

 

 

 



[1] Jornal de Lousada, 18 de Outubro de 1914, n. º 376 p.2-3.

[2] Jornal Terras Vale do Sousa, 22 de Abril de 1993, p. 6.



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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

         Situa-se numa pequena elevação, junto à estrada, muito perto da fronteira de Barrosas (St.ª Eulália) com Vizela, defronte do “Intermarché” e no lugar dos Milagres. Está envolta em frondoso arvoredo e até é apetecível repousar um pouco à sua sombra, que é apetecível e espiritual.

 

  Algumas Considerações Artísticas.

 

          A capela é formada por uma só nave e um retábulo em talha, com colunas torsas e tendo ao centro uma interessante imagem de N. Sr.ª dos Milagres. (Esta a imagem que nos deu das frestas insertas na porta de madeira que preenche o portal de entrada).

 

         É evidente que sofreu vários restauros ao longo dos tempos. E não tenho dúvidas em afirmar que recentemente - há poucos anos - sofreu uma intervenção já que as telhas, o telhado, que recobrem a sua cobertura mostram ainda sinais evidentes de um muito bom estado de conservação e um aspecto - que não deixa mentir - de que lá foram colocadas há poucos anos.

         É uma capela dos finais do séc. XVIII - inícios do séc. XIX porventura - uma construção em cantaria equilibrada. O entablamento não tem qualquer tipo de remate especial. O telhado de uma água tem por base a cimalha. A telha é vulgar e é do séc. XX (da actualidade).

         A cantaria não é rebocada, mas sim de junta tomada e fitada a branco.

         O alçado principal tem, ao meio, um portal de simples cantaria, e um pouco acima um oculo - já no timpano - com dois ferros em cruz e vidro martelado e baço. Frontão saliente recoberto pelo telhado e no seu cume uma elaborada cruz em cimento. Uma pequena sineta em torre sineira recente, logo acima da abertura em quadrifólio de construção recente.

         O alçado esquerdo apresenta um simples portal a meio. E num plano superior ao Portal, na direcção do alçado sul, rasgada no aparelho de granito, uma fresta (uma barra vertical e três horizontais - em ferro - e envidraçadas).

         No alçado sul nada há a realçar, a não ser a cantaria de junta tomada e fitada a branco e as pilastras salientes com a base e capitel trabalhadas.

         No alçado direito não há elementos alguns a assinalar.

         Esta capela sofreu - de certeza absoluta - intervenções que lhe subtraíram elementos arquitectónicos originais.

         Uma coisa é evidente, parece ser uma capela do séc. XVIII.

 

 SILVA, José Carlos - As Capelas Públicas de Lousada, U. Portucalense, 1997

 

 

 



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Sábado, 24 de Outubro de 2009

De facto, a vetustez é atributo que sobressai e aparece exemplificada em topónimos de origem celta, romana, sueva ou árabe, espalhadas por todo o Concelho. E também monumentos: quase todas as freguesias têm uma ogiva ou uma calçada, um túmulo ou um castro a comprovar a sua antiguidade. Pelo menos, uma lenda, um tesouro escondido ou uma moura encantada que daqui não quis arredar.

Lousada tem orgulho em si própria porque tem muito a ver com a fundação de Portugal, como todo o Vale do Sousa, esteja ou esteja o facto devidamente salientado, pois não faltam notíccias de santos que aqui ergueram mosteiros, de reis, rainhas, príncipes e princesas que nestes vales e montes se criaram, brincaram e cavalgaram, vigiados pelos aios, desde o sempre honrado Egas Moniz, à sua filha D. Urraca e a Estefânia Soares de Riba de Vizela ou ao Conde de Vizela, que nesta terra terão orientado e amado como filhos alguns dos primeiros Afonsos, Sanchos ou Mafaldas que Portugal houve.

Daqui são oriundas as nobres famílias dos Sousas e Leitões, famílias que se cruzaram entre si e com as da Maia, de Baião, de Ribadouro, de Riba de Vizela ou com a de Soverosa - afinal as que «filharam Portugal». Alguns dos seus descendentes se uniram à casa real.

(...), ..., embora para caracterizar o Concelho, fosse suficiente apresentar dois factos: ter sido Lousada a primeira sede da diocese do Porto e ter sido Lousada o berço da família «mais principal» de Portugal.

 

MOURA, Augusto Soares - In Lousada Antiga, 2009



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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

 

Nas corografias, nos dicionários geográficos, nos jornais, assim como nas monografias, o concelho de Lousada é analisado sobre aspectos pitorescos, políticos e sociais.

 

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18 - Exactamente as mesmas freguesias que Pinho Leal indica na sua obra: “Portugal Antigo e Moderno”. Os corografistas repetem-se e, muitas vezes, enganam-se. Eles mesmo o reconhecem: “Depois os proprios chorographistas vêem-se em papos de aranha para explicar onde é a sede do concelho, ora confundindo Silvares e Louzada, ora tomando as parochias de Santa Margarida e S. Miguel de Louzada, como núcleo central da povoação, quando, averiguado o caso, a villa não é realmente senão uma parte de SILVARES, parte chamada antigamente o Torrão, que se desenvolveu e ampliou, deixando na humilde posição primitiva a velha matriz parochial.” VIEIRA, José Augusto - o. c., p. 353 -  354.

19 - O pelourinho de Lousada é Monumento Nacional por Decreto de dezasseis de Junho de mil e novecentos e dez. “Tem três degraus quadrados em esquadria, todos eles com o bordo superior saliente e boleado. A coluna salomónica assenta numa base quadrada de pouca altura seguida de largo anel boleado. O fuste é expressivo no seu bem delineado enrolamento com os torcidos largos que se desenvolvem da esquerda para a direita. Vem a terminar num anel bem saliente e boleado. Por peça de coreamento possui um tabuleiro quadrangular tronco-piramidal invertido que a meio da sua altura tem molduramento a toda a volta em forma de pequenos cubos. Nos cantos da parte superior ainda se notam as calhas onde pousavam os braços de ferro com argola. A parte terminal do pelourinho já não existe (…). O pelourinho é do século XVI.” SOUSA, Júlio Rocha e - Pelourinhos do Distrito do Porto. Viseu: Edição do Autor. 2000, p. 26 e 48.

20 - PEREIRA, Esteves, RODRIGUES, Guilherme - Portugal, Diccionario Histórico, Chorographico, Biographico, Bibliographico, Heráldico, Numismático e Artístico. Lisboa: João Romano Torres & C.A Editores. vol. IV - L. M, 1909, p. 559. Cf. COSTA, Américo - Diccionario Chorografico de Portugal Continental e Insular, Hydrographico, Historico, Orográfico, Archeologico, Biographico, Heráldico e Etymologico. Villa do Conde: Typograhia Privativa do Diccionario Chorographico. vol. VII, 1940, p. 809 - 810. Guia de Portugal. Entre Douro e Minho - Douro Litoral IV. Fundação Calouste Gulbenkian: 1994, p. 624.

Prestes a terminar o penúltimo decénio do século XIX, a parte moderna da Vila de Lousada tinha a sua praça ajardinada, com os seus terrenos irregulares, onde se edificava o majestoso templo do Senhor dos Aflitos e o moderno edifício do tribunal. Num recanto da Praça e Largo do Senhor dos Aflitos, ficava a Hospedaria Lousadense.21 Em 1907, a vila assentava numa ampla colina, situada a trezentos metros de altitude, na parte superior do vale do rio Sousa, e era uma das mais “bellas localidades d’ entre Douro e Minho, pois possuía elegantíssimas praças, ruas largas e bem traçadas.”22 Parecia quase não ter história, pois apenas se guardava no arquivo da Câmara Municipal “a carta de foral com que a munificencia d’el Rei D. Manoel a dotou.23  Em 1920, era uma terra de 1385 habitantes, pacata e com o seu casario branco e disperso, e do alto do seu templo podiam abarcar e admirar-se os seus belos e rústicos arredores.24

Lousada era terra do “vinho verde e de latadas, do feijão e do milho, dos jugos trabalhados em madeira entalhada, semelhante às velhas arquibancadas conventuais com seus lindos boizinhos piscos de alta cornadura, de belo desenho em lira, e do carro de eixo móvel girando em admirável cântico vespeiral de louvor a Deus.”25 E como em todo o Entre Douro e Minho, também Lousada “era um alfobre de solares, desde a torre medieval, ao pequeno solar de granito pardo com o portão ameado e brasonado, e a escada exterior, a capela setecentista, aos múltiplos exemplares de arquitectura fidalga e barroca do séc. XVIII.26

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21 - BOAVENTURA, São - Saudades! Saudades! Lousada e os seus homens de há 40 anos 1899-1939. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 1997, p. 8.

22 - SILVA, Augusto Ribeiro da - Villa de Louzada. Jornal de Louzada. Lousada (22 de Setembro de 1907), p. 4.

23 - Guia de Portugal. Entre Douro E Minho - Douro Litoral IV. - o. c., p. 622.

24 - D’ AURORA, Conde - Antologia da Terra Portuguesa. (Direcção Literária de Luís Forjaz Trigueiros e Prefácio do Conde D’ Aurora). Lisboa: Livraria Bertrand, [s/d], p. 17- 18.

25 - D’ AURORA, Conde - o. c., p. 18.

26 - D’ AURORA, Conde - o. c., p. 18.

 

  Quando o século XIX está prestes a terminar, surge, neste concelho, um grupo de homens talentosos para a política. Lousada se fez comarca, e recortou o solo com estradas, edificou o templo do Senhor dos Aflitos e fundou escolas; pela política e para a política viveu, como se regeneradores e progressistas, ciosos uns dos outros, tivessem um só objectivo: o seu progresso.27

Em 1899, chegava a Lousada um novo administrador, de seu nome, São Boaventura28 - um Progressista entre Regeneradores. O concelho, à época, era dominado pelos ideais do partido Regenerador, de que tinha sido chefe o conde de Alentém;29  era presidente da Câmara, José Freire da Silva Neto,30 sendo vereadores, Cristóvão de Almeida Soares de Lencastre, da casa de Alentém, Adolfo Peixoto de Sousa Vilas-Boas, da Casa de Rio de Moinhos, Miguel António Moreira de Sá e Melo, da Casa de Sá, Bernardino Ferreira Coelho, Carlos Augusto da Silva Teles e José Luís da Silva,31 e como secretário  José Teixeira da Mota,32 da Casa do Tojeiro.

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27- VIEIRA, José Augusto - o. c., p.355.

28 - Augusto Eliseu de São Boaventura, natural de Lisboa, que em 1899 desempenhou o cargo de Administrador em Lousada, e em 1939 publicou as suas memórias: “Saudades! Saudades! ”. Cf. Lousada - Colectânea de Autores Locais. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousaa, 2002, p. 51.

29 - António Barreto de Almeida, senhor da Casa de Alentém. BOAVENTURA, São - o. c., p.  8

30 - Da casa do Carvalho e líder local do Partido Regenerador. BOAVENTURA, São - o. c., p.  8

31 - Todos gente distinta e pertencente às melhores famílias do concelho (…).” BOAVENTURA, São - o. c., p.  8

32 - Director do Jornal de Lousada, que fundou em 1907. BOAVENTURA, São - o. c., p.  8.

Numa visita de cortesia, quando ainda não tinha assumido o cargo de administrador, de um “dos recantos mais maravilhosos de todo o Minho tão lindo e tão pitoresco!”33 foi cumprimentar as mais distintas e ilustres figuras nobres e políticas do concelho. O primeiro foi o Visconde de Lousada34, seguindo-se-lhe o Visconde de Sousela, e ainda teve tempo de se deslocar à Casa da Tapada para conversar com Manuel Peixoto de Souza Freire: “ Não porque fosse politico, mas porque era o maior benemérito dessa nobre terra de Lousada e um homem de rara ilustração e incontestável aprumo moral.”35

                                                                                                           

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33 - BOAVENTURA, São - o. c, p. 8.

34 - O prestigiado líder, local, do Partido Progressista. BOAVENTURA, São - o. c, p. 8.

35 - Os Viscondes de Lousada e de Sousela eram os proprietários das casas do Cáscere e do Ribeiro, respectivamente e Manuel Peixoto de Souza Freire era proprietário da Casa da Tapada. BOAVENTURA, São - o. c, p. 8.

36 -“Local de culto das letras e de debate de ideias e ideologias, ali se actualizavam as novidades e se congeminavam estratégias políticas e acções cívicas. Mas foram sobretudo as actividades recreativas [os bailes e as quermesses] que se tornaram memoráveis.” O Século XX em Lousada 100 Factos & Personalidades. Lousada: Edição da Câmara de Lousada. 1999, p. 56.

Mas Lousada não se quedava só em mostrar as suas belezas pitorescas e o seu fino trato e talento para a política. Era também uma terra que gostava de folgar e de se divertir em bailes - de que já há notícia nos anos setenta, da centúria de oitocentos.37

Nos bailes, dessa época, dançava-se a contra-dança38 e a valsa39 e jogava-se o whist.40 As toilettes nem sempre eram novas, havendo quem distinguisse “ (…) os vestidos novos dos transformados, (…),41 conhecesse “o nome e o preço das fazendas, das rendas e das fitas, o número de metros que em tudo isso se tinha gasto, (…),42 chegando ao ponto de saber quem tinha “fantasiado e executado tanta elegancia, em que dia chegaram do Porto todos os enfeites, e até a gratificação que se tinha dado às recoveiras. (…).43 E apesar  das famílias viverem a grandes distâncias e do baile se realizar no inverno, nada obstava a que se apresentassem com(…) tão boas toilettes!”44

No final do século XIX um baile tinha importância, imponência, distinção, graça e delicadeza, caracterizado que era por um ambiente de bem-estar, de alegria e de sedução. Dançavam-se polcas,45 mazurcas46 e quadrilhas, e as senhoras eram rainhas, os homens seus vassalos, e tinham um lugar do maior destaque; mal assomavam, eram respeitosamente saudadas, levadas pelo braço até ao vestiário, e depois ao salão, onde se lhes fazia a corte.47

________________________________

 

37 - X - Um Baille Em Louzada. Gazeta de Penafiel. Penafiel. (2 de Fevereiro de 1870), p. 1.

38 - Dança de quatro ou mais pares uns defronte dos outros. Também significa quadrilha. Quadrilha -Dança alegre e movimentada, que originalmete se dançava só com quatro pessoas. Dicionário Ilustrado da Língua Portuguesa - o. c., p. 225.

39 -Dança a três tempos. COSTA, J. Almeida, MELO, A. Sampaio - Dicionário da Língua Portuguesa. 5ª edição, Porto: Porto Editora, LDA, [s/d], p. 1556.

40 - Nome de um jogo de cartas inglês. COSTA, J. Almeida, MELO, A. Sampaio - o.c., p. 1556.

41 - X - Um Baille Em Louzada. Gazeta de Penafiel. Penafiel. (2 de Fevereiro de 1870), p. 1.

42 - X - Um Baille Em Louzada. Gazeta de Penafiel. Penafiel. (2 de Fevereiro de 1870), p. 1.

43 - X - Um Baille Em Louzada. Gazeta de Penafiel. Penafiel. (2 de Fevereiro de 1870), p. 1.

44 - X - Um Baille Em Louzada. Gazeta de Penafiel. Penafiel. (2 de Fevereiro de 1870), p. 1.

45 - “Espécie de dança boémia, e respectiva música a dois tempos.”. COSTA, J. Almeida, MELO, A. Sampaio - o. c., p. 1119.

46 - “Dança a três tempos, originária da Polónia.” COSTA, J. Almeida, MELO, A. Sampaio - o. c., p. 925.

47 - BOAVENTURA, São - o. c. p. 20.

Os bailes eram um acontecimento eminentemente social e político, que acontecia nas casas nobres, na Assembleia Lousadense48 e, porventura, no edifício da câmara. Oportunidade excelente para os senhores da casa apresentarem os seus convidados, estabelecerem convivência, e, nas assembleias, os directores exercerem a correspondente missão.49

E enquanto um baile não se iniciava, os cavalheiros permaneciam junto das damas, prestando-lhe as suas homenagens; se dançavam, primeiro pediam licença à mãe ou pessoa respeitável que as acompanhava, e só depois de concedida a autorização, podiam tirar o seu par.

Quando o século vinte estava a um decénio de alvorecer sobre o esplendoroso templo do Senhor dos Aflitos, a nobre Lousada dançava, recitava, cantava, ao som do piano, e “As lindas, lindas? Lindíssimas! Senhoras da aristocracia lousadense formavam um precioso ramalhete das mais belas e das mais perfumadas flores e os rapazes eram finos, respeitosos, educados. 50 Eram os cavalheiros que serviam o chá, a ceia e o chocolate, e quando o sol já irrompia, e o baile terminava, acompanhavam as damas aos carros, que as levavam às suas casas.51

Naquela época, os bailes da Assembleia Lousadense “deram brado, (…)”52 perdurando no fio indelével da memória colectiva da fina e deslumbrante Lousada.

 

                                                                                                                                       

________________________________

                                                                                  

48 - A Assembleia Lousadense era o ponto de encontro, por excelência, para onde convergia toda a aristocracia lousadense, principalmente a partir dos finais do século XIX. Foi fundada em 1864. O Século XX em Lousada, p. 56.

49 - BOAVENTURA, São - o. c., p. 20.

50 - “Havia animação, palpitavam corações, surgia o amor. (…). Os bailes da Assembleia Lousadense eram assim. (…). Assisti ao baile oferecido no Quai de Orsay, em honra de D. Carlos I, que maravilha! (…) Mas os bailes de Lousada!”BOAVENTURA, São - o. c.,p. 20.                                                                                                                                                                                                               

   SILVA, José Carlos - In A Casa Nobre no Concelho de Lousada, FLUP, 2007      

 



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No último decénio do séc. XVIII, o lugar do Torrão era “huma pobre aldeya.”8 Pelo menos era assim que o Bacharel Caetano José Lourenço Valle, Corregedor e Provedor da Comarca de Penafiel, via o lugar que mais tarde seria o futuro concelho9 de Lousada: “Pertendem juis de Fora, dizendo que tem boa Caza de Foral, he esta bem ordinária, citta no lugar do Torrão, couza bem insignificante, que não pasa de huma pobre aldeya, sem forma de rua”10 Esta opinião ficou a dever-se a uma hipotética anexação do concelho de Lousada por Penafiel, o que nunca chegou a acontecer.

 

 

________________________________

 

8 - SOEIRO, Teresa - História Local. Cadernos do Museu. Penafiel: Edição da Câmara Municipal de Penafiel. 2005, p. 151.Cf. AHP - Secção I-II, Cx. 101.

9 - “É uma reunião maior ou menor de freguezias, governadas por um administrador de concelho e representadas por uma municipalidade. Se o concelho é também julgado, tem um tribunal do cível, crime e orphanologico, com juiz ordinário, um sub - delegado do procurador régio, escrivães, officiaes de diligencias, carcereiro, etc. Até 1820, os concelhos tinham muitos privilégios, e inclusivamente o de nomearem os seus juízes, que eram confirmados pelo rei. Hoje esses juízes, assim como a câmara, são de eleição popular, e não precisam de confirmação regia.” LEAL, Augusto Soares d’ Azevedo Barbosa de Pinho - Portugal Antigo e Moderno-Diccionario Geographico, Estatístico, Chorographico, Heráldico, Archeologico, Histórico, Biographico e Etymologico de Todas as Cidades, Villas e Freguezias de Portugal e de Grande Numero de Aldeias. Lisboa: Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão. 1874,volume quarto, p. 492. Cf. BAPTISTA, João Maria - Chorographia Moderna do Reino de Portugal. Typographia da Academia Real Das Sciências, 1875, Vol. II. p. XXIII; COSTA, P. Antonio Carvalho da-Corografia Portugueza e Descripçam Topográfica do Famoso Reyno De Portugal, com as Noticias das Fundações das Cidades, Villas, & Lugares, que contem, varões illustres, Genealogias das Famílias Nobres, fundações de Conventos, Catálogos dos Bispos, antiguidades, maravilhas da natureza, edifícios, & outras curiosas observaçoens. Segunda Edição, Braga: Typographia de Domingos Gonçalves Gouveia, 1868, Tomo I, p. 337-338; é “uma expressão latina concillium e exprime a comunidade vicinal constituída em território de extensão muito variável, cujos moradores-os vizinhos do concelho-são dotados de maior ou menor autonomia administrativa.” In Dicionário de História de Portugal. (Dir.) Joel Serrão. Porto: Livraria Figueirinhas, [s/d], p. 137. Cf. Concelhos. In Dicionário Enciclopédico da História de Portugal. (Coord.) José Costa Pereira. [s/l]: Publicações Alfa, Lda, 1990, p. 146.

10 - AHP - Secção I-II, Cx. 101.

Volvidos quase cem anos José Augusto Vieira, na sua obra: “O Minho Pittoresco” refere-se a Lousada com outras cores, apesar de pouco mais nos informar: “A Louzada antiga, com o seu pelourinho em columna torcida, incompleto já, os antigos paços servindo de cadeia, a rua Direita, torta como a de todas as villas, (…).”11 E nada havia de notável na Vila de Lousada, a não ser a sua “pittoresca situação em um planalto da montanha, de ares puros e lavados, e solo feracissimo nos seus formosos arrabaldes. Para que bem se avalie do largo horisonte e fertilidade d’este solo uberrimo basta subir ao templo dos Afflictos, ou melhor ao adro da capella da Senhora do Loreto, que domina toda a povoação e arrabaldes, e demorar ahi alguns instantes, á sombra dos sobreiros ou oliveiras que a rodeiam. (…) Divide-se, por assim dizer, a villa em duas partes: a moderna e a antiga Louzada; aquella, ainda incaracterística, por estar actualmente em plena germinação, (…), com feição accentuada, das antigas villas portuguezas, de ruas estreitas e praças acanhadas, a lugubre cadeia sob os antigos paços do concelho, uma ou outra viella intransitável, as casas de pequenas janellas com poaes, onde floresce o craveiro encarnado.”12

 Em 1874, era vila, concelho e cabeça de comarca e contava com 2 700 fogos, sendo a comarca composta pelo julgado de Lousada e de Paços de Ferreira. Este último concelho possuía 3 100 fogos, o que perfazia, na comarca, 5 800 fogos. Uma parte do território de Lousada estava afecto ao Arcebispado de Braga, e o restante à Diocese do Porto. Pertencia ao distrito do Porto,13 e era constituído por vinte e sete freguesias.14

 

________________________________

 

11 - VIEIRA, José Augusto - O Minho Pitoresco. 2ª Edição, Valença: Edição Rotary de Valença, Tomo II. 1987, p. 353-354.

12 - VIEIRA, José Augusto - o. c., p. 353-354. Cf. MOURA, Augusto Soares-Lousada Antiga, Lousada: Edição de Autor, [s/d], vol. I, p. 386, História das Freguesias e Concelhos de Portugal. Matosinhos: Quidnovi, 2004, p.98. Lousada Terra Prendada, Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 1996, p. 132.

13 - LEAL, Augusto Soares d’ Azevedo Barbosa de Pinho - o. c., p. 469.

14 - “ Alentém, Alvarenga, Aveleda, Barrosas (Santo Estêvão), Barrosas (Santa Eulália), Caíde de Rei, Cernadelo, Casais, Covas, Cristelos, Boim, Figueiras, Lodares, Lustosa, Macieira, Meinedo, Nespereira, Nevogilde, Nogueira, Ordem, Pias, Silvares, Sousela, Torno, Vilar do Torno, Lousada (Santa Margarida) e Lousada (S. Miguel).” Cf. LEAL, Augusto Soares d’ Azevedo Barbosa de Pinho -o. c., p. 469.                                                          

E em 1875, a freguesia de Silvares,15 era a cabeça deste concelho, concelho cuja superfície atingia 766,5 hectares, espaço onde se distribuíam 14 304 habitantes.16

 

   

 

 

Quadro N.º 1 -  Número de Fogos na Comarca de Lousada em 1874.

 

 

Concelho de Lousada

 

2 700

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Concelho de Paços de Ferreira

 

 

3100

 

 

 

Comarca de Lousada

 

5 800

                                       

No términos da centúria de oitocentos, Lousada mantinha imutável o número de freguesias, possuíndo Santa Margarida e S. Miguel de Silvares 117 homens e 162 mulheres e 161 homens e 227 mulheres, respectivamente. O concelho, no seu todo, contava com 6523 homens e 8418 mulheres, e pertencia ao distrito e bispado do Porto.17

 

 

 

 

Quadro N.º 2 - Homens e Mulheres das freguesias de Santa Margarida e S. Miguel; e do concelho de Lousada em 1885.

 

População

 

 

Homens

 

 

Mulheres

 

Freguesias

 

Habitantes

 

Superfície

 

Concelho

 de Lousada

 

6523

 

8418

 

27

 

14941

 

 

 

766,5 ha

Santa Margarida (Lousada)

 

117

 

162

 

 

279

 

S. Miguel (Lousada)

 

161

 

227

 

 

388

 

      

________________________________

 

15 - LEAL, Augusto Soares d’ Azevedo Barbosa de Pinho - o. c., p. 469.

16- BAPTISTA, João Maria - o. c., p. 692 - 693.

17 - BETTENCOURT, E. A. - Diccionario Chorographico de Portugal e Ilhas Ajacentes contendo as Divisões Admnistrativa; Judicial, Ecclesiástica e Militar Ultimamente Decretadas e indicando todas as cidades, villas, freguezias …., 3ª Edição, Lisboa: Typographia Universal. 1885, p. 104.

No dealbar do século seguinte, era um concelho da província do Douro, sendo as suas freguesias sede: - Silvares e Cristelos.18 Silvares que, desde o século XVI tinha contado com a honra de receber pelourinho,19 e, pelo menos desde 1875 se apresentava como cabeça de concelho.20

SILVA, José Carlos - In A Casa Nobre no Concelho de Lousada, FLUP, 2007

 

 

 



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