Domingo, 28 de Fevereiro de 2010

Donativo de 50 000 reis do Rev. Ab. de Nevogilde em 1832, Jose Caetano de Souza, da caza e quinta de Lagoas, à Confraria do Santissimo Sacramento.

A.D. P. – P o – 1, Livro 151, Secção Notarial, 1832, fl. 85.

 



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O povo chama-lhe capela de St.º Ovídio, e a sua invocação, o seu orago é St.º Ovídio. É que na capela de St.º Ovídio, no lugar de Mourinho, está no seu altar a imagem do St.º Ovídio, o santo venerado pelos habitantes de Aveleda e que tem romaria em sua honra em 9 de Agosto. Esta não é a original, a primitiva capela.

            Mas houve mesmo uma capela em honra de St.º Ovídio, pertença da casa de Barrimau ou de St.º Ovídio e que por tricas políticas, aquando e depois da Implantação da República, acabou por ser demolida, e esta desde a década de vinte se passou a denominar capela de St.º Ovídio pelo povo de Aveleda e por todos os romeiros que demandam a Aveleda todos os anos, e em Agosto, no seu dia nove.

            Mas a capela de St.º Ovídio tem peripécias dignas de serem referidas, mesmo que sucintamente.

            É durante a década de vinte que a polémica estala quando os representantes da Junta de Aveleda querem que a capela de St.º Ovídio passe a ser pública. A isso vão-se opor ferozmente os seus donos, os fidalgos da casa de Barrimau ou de St.º Ovídio. Os republicanos ainda nesta época tentavam o arrolamento dos bens da Igreja. Aliás é a partir de 1910 que a capela de S. Bartolomeu se torna pública.

            Foi a 26 de Julho de 1927 que “veio de novo o Presidente da Corporação pedir mais a capela de St.º Ovídio.”[1]

            A capela de St.º Ovídio foi sempre particular “construída em terreno da Quinta de St.º Ovídio, dentro dela e em terreno demarcado e murado da Quinta.”[2]

            Guerras políticas e pessoais fizeram correr muita tinta em dois periódicos da época: Jornal de Lousada e Vida Nova.

            No seu n.º 1043 rezava o Jornal de Lousada (republicano) que “foi arrolada pela autoridade competente a célebre capela de St.º Ovídio, situada na freguesia deste concelho,... o último acto será,... a notícia de ter sido publicado o despacho que, oficialmente, considera a capela do milagroso St.º Ovídio propriedade exclusiva, in secula seculorum da freguesia do muito venerado S. Salvador de Aveleda. Podemos considerar a capela de St.º Ovídio como a praça de guerra de Aveleda.” [3]

            Apesar dos esforços dos fidalgos da casa de Barrimau ou St.º Ovídio, a capela de St.º Ovídio é entregue à comissão de culto por “Despacho de 15 de Julho findo, foi mandada entregar à Comissão do culto da freguesia de Aveleda, dêste concelho, entre outros bens, a capela de St.º Ovídio...”[4]

            Só em 1932 é que a capela é restituída à casa de St.º Ovídio, em definitivo, segundo o Heraldo de 27/02/32 e o Vida Nova de 5 de Março de 1932, é que publica o Despacho final sobre esta polémica. O Jornal de Lousada nem, se lhe refere.

         A última indicação do Jornal de Lousada é a de que a capela de St.º Ovídio foi demolida, ano de 1932. Actualmente a imagem de St.º Ovídio está na capela de St.º Ovídio, ali junto à igreja.

            A capela de St.º Ovídio seria reconstruída no lugar de Mourinho, já que segundo o fidalgo da casa de Barrimau “Demoli a capela que era minha, para a reconstruir num outro local...”[5] , pressupõe-se no lugar do Mourinho, já que não encontrei outra documentação que provasse o contrário.

         A dita capela de St.º Ovídio que se situa no lugar de Mourinho é, possivelmente, datada dos finais do séc. XVII, já que “Há 155 anos que os antepassados da Illustre família da casa de St.º Ovídio...requeram...licença para colocar na capela um confessionário”[6] , isto foi escrito no Jornal Vida Nova em 1928. O pedido para o confessionário foi feito em 1704. Ora a capela já anteriormente estava erigida. Daí situar-se entre os finais do séc. XVII, a sua construção.

            Todos a denominam capela de St.º Ovídio, mas esta capela tem por invocação N. Sr.ª do Rosário. E só é capela de St.º Ovídio desde que a antiga capela deste Santo foi demolida.

 

Silva, José Carlos Ribeiro da – As Capelas Públicas de Lousada, U. Portucalense, 1997

 

 

        



[1] Ferreira, Alfredo J.; A Capela de St.º Ovídio em Aveleda, Jornal de Lousada, n.º 1160, 30 de Agosto de 1928, p. 1.

[2] Idem.

[3]  A. J. F., A Praça de Guerra de Aveleda, Jornal de Lousada, 12 de Novembro de 1927, p. 1.

[4] Jornal de Lousada, Capela de St.º Ovídio, Agosto de 1931 p. 2.

[5] Jornal Vida Nova, 5 de Março de 1920, n.º 560, p. 1.

[6] A Capela de St.º Ovídio, Jornal Vida Nova, 6 de Outubro de 1928, n.º473, p.1 e 2.



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Sábado, 20 de Fevereiro de 2010

É candidato, governamental a deputado, por aquelle circulo, o Exc. snr. Antonio Barreto d' Almeida Soares Lencastre, distinto cavalheiro de Louzada, e asseguram-nos ser certa a sua eleição.

 

Gazeta de Penafiel, Sábado, 5 de Fevereiro de 1870, nº 10, p. 3



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É amanhã [10 de Setembro de 1876] que tem logar a benção da capella de Nosso Senhor dos Afllitos, em Louzada como comunicamos no numero passado, está tudo preparado para que esta festa seja brilhante e imponente.

 

Comercio de Penafiel, 9 de Setembro de 1876, nº 41, p. 3



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O sr. ministro das obras publicas, Cardoso Avelino, tem visitado com frequencia, as officinas dos caminhos de ferro do Minho e Douro, os tuneis e todos os trabalhos para a construção da ponte sobre o Douro.

A sua estada no Porto tem sido muito festejada.

Hontem chegou s. excª a Chaide, examinou o tunel da tapada e seguiu para cima, a observar todas as mais obras da linha.

(Transcrição feita à época)

Comércio de Penafiel, 24 de Junho de 1878, nº 19, p.3

 



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Partiu hoje no comboio da manhã para o Porto, o sr. Calidonio de Sousa Coelho [Casa do Ribeiro - Sousela - Lousada], que à dias se achava nesta cidade.

 

Comercio de Penafiel, 20 de Maio de 1876, nº 9, p. 3.



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Eu cá desde o romper d' alva

Você inda agora vem?

Pois vá já comprar os doces

Para a filha da minha mãe.

 

O Comércio de Penafiel, 27 de Maio de 1876, nº 11, p. 2.



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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

A 28 de Maio de 1844 Francisco Xavier Pinto da Silveira e sua mulher – da Vila de Lousada - (Lousada tinha ascendido à condição de Vila há dois anos) - fizeram uma escritura de certificação de divida e obrigação ao Comendador Manuel Pinto Peixoto Villas Boas da Casa da Ribeira (Cristelos). [Casa nobre que ainda existe, a precisar de ser restaurada com urgência. Apresenta uma tipologia em forma de U.].

O preâmbulo da referida escritura reza o seguinte: «Escriptura de Cerptificação de divida e obrigação que fazem Francisco Xavier Pinto da Silveira emulher da Villa de Louzada ao Comendador Manuel Pinto Peixoto Villas Boas, da Caza da Ribeira, freguezia de Cristellos, deste Julgado, em 28 de Maio de 1844.».

Lvnº166, 1ª série, nº34, fl. 57v.

 



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I - Definição

 

1 - Casa da Renda

 

2 - Proprietário/família

      Actual - António Eduardo Guerra Pereira

      Antigo - Eduardo Pereira

      Apelido - Guerra Pereira

 

3 - Localização

 

      Lugar - Renda

      Freguesia - Meinedo

      Concelho - Lousada

 

II - Classificação Formal

                                                                                                   

Casa com planta do tipo quadrangular                                                                                                                             

 

 

1 - Relação entre ambas as construções                                                                                               

         

                                                                                                                                                                                                                                                                              

      Não existe relação possível a estabelecer.                                                                                             

 

 

2 - Descrição (arquitectónica) dos edifícios

 

 

Em termos arquitectónicos é uma casa quadrangular com escadaria, ao centro. A fachada principal, virada a Oeste, apresenta uma escadaria137 lançada na perpendicular contra a fachada, o que lhe quebra uma certa monotonia. De um só lanço, a escadaria com patim, tem os primeiros três degraus semicirculares e na parte terminal, ostenta dois pináculos.138 O patim é gradeado.139 Sob as escadas, dois arcos de volta perfeita, possuindo em cada pano um óculo moldurado, em forma de losango. No rés-do-chão vêem-se três portadas, uma janela moldurada e gradeada,140  uma pequena abertura141 moldurada e gradeada; dois óculos, todos moldurados, também gradeados, em forma de coração invertido. No primeiro andar, ao centro da fachada, um portal moldurado, flanqueado por quatro janelas de peitoril (duas à direita/duas à esquerda), ladeadas por duas janelas de sacada (uma à esquerda/uma à direita), todas molduradas.

A fachada Norte exibe uma portada moldurada, do seu lado esquerdo, e uma pequena abertura rectangular moldurada e gradeada, do seu lado direito. No primeiro andar, ao centro, uma janela de sacada, com uma fresta semicircular e quatro janelas de peitoril, duas de cada lado da janela de sacada.

No rés-do-chão, da fachada Sul, há uma escadaria de um só lanço com grades e cancela, e duas portadas molduradas. O primeiro andar apresenta quatro janelas142 de peitoril, molduradas. Ao centro do pano, no cimo da escadaria, um portal em granito com arco abatido e pilastras.

A fachada Este ostenta três portas molduradas, uma janela143 e um alpendre construído em 2000, assente em cinco colunas. No primeiro andar vêem-se sete janelas de peitoril e ao centro da parede, um óculo, em forma de losango, gradeado.

 

3 - Estado de conservação

 

É bom.

4 - Obras/Restauro

       (Datas e que obras foram feitas)

 

 

Em 1993 foi submetida a um restauro total. As janelas e portas de madeira foram retiradas em 2003 e colocadas outras de alumínio.

 

 

III - Elementos Iconográficos na construção

 

1 - Pedra de armas

      (Descrição)

 

Não tem.

 

 

2 - Cronologia

      (Datas inseridas na construção)

 

  Não tem.

 

 

IV -  Outros dados históricos

 

A escadaria estava adossada à fachada Norte e foi encostada à fachada Oeste, em data desconhecida.

Esta casa já esteve anexa à igreja e já fez parte do conjunto construtivo, edificado da igreja, da sua residência e anexos.144

 

 

______________________________

 

137 - Esta foi retirada da fachada Norte, segundo o actual proprietário da Casa, estando agora adossada à fachada Oeste.

138 - Estavam no cimo das escadas em 1993- Informação do proprietário desta casa.

139 - A grade é de 2003, segundo António Eduardo Guerra Pereira.

140 - Era um postigo até 1993, segundo o dono desta casa.

141 - A moldura foi-lhe colocada em 1993, segundo informação de António Pereira, proprietário da casa da Renda.

142 - As janelas à direita da escadaria são de meados do século XX - Informação do proprietário desta residência.

143 - Esta janela era uma porta; foi transformada em janela, em 1993.

144 - LOPES, Teixeira Eduardo - o. c., p.135.

 

A Casa da Renda era, em 1700, a casa do Arcediagado: “Era uma casa grande e sobradada, dividida em dois compartimentos com duas janelas, uma para Nascente e outra para Sul, e duas portas para um alpendre de madeira telhado com escadas de pedra. Por baixo uma loja com cinco tulhas para recolha da renda do arcediagado. Esta casa comunicava com outra casa sobradada com uma janela para Nascente e pela parte de fora tinha um pátio com escadas em pedra. No rés-do-chão, a loja funcionava como estrebaria.”145

A 17 de Dezembro de 1696, numa descrição da Igreja e Capelas de Meinedo, num Tombo dos Bens e propriedades, foros e censos…., aparece a descrição da casa do Arcediago, hoje Casa da Renda: “O pateo do asento das cazas do Reuerendo Arcediago medido à redonda por fora das paredes das cazas do Reuerendo Arcediago com as quais se cerca, e forma o mesmo pateo comessando da quina das cazas da adega que faz a modo de portada, e entrada principal para o mesmo pateo e acabando na mesma quina à volta por fora das paredes das mesmas cazas tem setenta e coatro varas e meya e de dentro no dito pateo estão as cazas seguintes: a saber huma grande sala de sobrado com hum repartimento pello meyo que a diuide em duas com janelas de peitoril, huma para o Nascente e outra para o sul com suas escadas pella parte de fora e seu alpendre de pedra cuberto de madeira, e telhado e duas portas por donde se entra para cada huma das ditas salas, e por baixo huma logea que toma o vão dellas que tem sinco tulhas de pedras para recolhimento da renda do Arcediago. Outra caza sobradada contigua à mesma que he huma sala sobradada e forrada de castanho de engado com uma janela de peitoril para nascente e com huma porta por dentro que se comunica para outras salas assima ditas e dellas se diuide a dita caza com hum perpianho de pedra, no qual está a dita porta que comunica para ellas, e tem a dita caza pella parte de fora pello mesmo pateo sua escada de pedra por donde se sobe para ella com seu alpendre também de pedra cuberto de madeira e telhado, e medidas todas estas cazas a saber as duas salas assima e esta que também tem sua logea que serue de estrebaria do tamanho da mesma sala de esquina a esquina de comprido, de Norte ao Sul tem catorze varas e dois palmos e de largo medindo pella parte do sul de quina a quina, de nascente ao Poente seis varas e de largo comesando na quina do alpendre seis varas e tres palmos, e dentro desta medição entrão os dois alpendres das cazas, e encostado à parede das ditas duas salas e logea das tulhas do seleiro está hum cuberto de colmo e dois esteyos que serue de recolhimento dos carros.146

    

V - Situação da Casa

 

Fica face à estrada nacional, junto à igreja românica de Meinedo. Acede-se por dois portões diferentes: um, na fachada Sul, é pequeno e simples, em chapa e ferro e de recente data, serve de entrada lateral; a entrada principal faz-se por um portal de colunas quadrangulares em cantaria e muro rusticado. É um portão em chapa e ferro, antigo, artisticamente trabalhado, tendo sido esta desde sempre a entrada principal.

______________________________

 

145 - A. D. P., Secção Notarial, Po-1, Livro nº 1706, 1696, fl 41v a 42v. Cit. por LOPES, Teixeira Eduardo - o. c., p.135.

146 - A. D. P., Secção Notarial, Po-1, Livro nº 1706, 1696, fl 41v a 42v. Cit. por LOPES, Teixeira Eduardo - o. c., p.135.

VI - Fontes Primárias/Documentais

  

- A. D. P.- Secção Notarial, Po-1, 1ª série, Livro nº 1706, 1696, fl. 41v a 42v.

 

VII - Bibliografia

 

- À Descoberta do Vale de Sousa - Rotas do Património Edificado e Cultural… (2ª Edição), Lousada: Editores Héstia. 2002.

- BATISTA, João Maria - Chorographia Moderna do Reino de Portugal. Lisboa: Typograhia da Academia Real das Sciencias, volume II. 1875.

- CARDOSO, P. Luís - Dicionário Geográfico, ou Noticia Histórica de Todas as Cidades, Vilas, Lugares, e Aldeias, Rios, Ribeiras, e Serras dos Reinos de Portugal, e Algarve, com todas as coisas raras, que neles se encontram assim antigas, como modernas. Regia Oficina Sylviana, da Academia Real, Tomo II. MDCCLI.

- Carta Militar de Portugal - Lisboa: Edição do Instituto Geográfico Do Exército. Escala 1: 25 000, Série M888, Penafiel, Folha 112, N.º 4. 1998.

- COSTA, P. António Carvalho da - Corografia Portugueza e Descripçam Topográfica do famoso Reyno de Portugal Com as Noticias das Fundações das cidades, Villas, e Lugares, que contem, varões ilustres, Genealogias das Famílias nobres, fundações de Conventos, Catálogos dos Bispos, antiguidades, maravilhas da natureza, edifícios, & outras curiosas observaçoens. Segunda Edição. Braga: Typographia Domingos Gonçalves Gouveia. 1868.

- D’ ALMEIDA, José Avelino - Diccionario Abreviado de Chorografia, Topografia, Archeologia das Cidades, Villas e Aldêas de Portugal. Valença: Typographia de V. de Moraes, vol. I. 1866.

- Dicionário Enciclopédico Das Freguesias - Lisboa: Edição da ANAFRE. 1996.

- Ecos-Porto: Edição da Direcção Geral de Apoio e Extensão Educativa - Coordenação Distrital do Porto, N.º 17.  [s/d].

- História das Freguesias e Concelhos de Portugal - Edição do Jornal de Noticias e da Quidnovi, vol. 9. 2005.

- Jornadas Europeias de Património. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 2003.

- LOPES, Eduardo Teixeira - Meinedo, Subsídios para uma possível história desta freguesia. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 2001.

- Lousada - A Vila e o Concelho. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 1993.

- Lousada - Terra Prendada - Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 1996.

- Lousada (Subsídios para a sua Monografia) - Lousada: Coordenação Concelhia de Lousada e da Direcção Geral da Extensão Educativa. 1989.

- OLIVEIRA, Rosa Maria - Portões e Fontes do Concelho de Lousada. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 2003.

- O Nosso Concelho-Lousada - Lousada: Edição da Empresa Editora. 1998.

- Planta topográfica. Escala: 1/2000 Lousada: Câmara Municipal de Lousada. 2005.

   - PORTO - Do nome de Portugal. Porto: Lisboa: Edição do Governo Civil do Porto. 1992.

 - Presidentes da Câmara Municipal de Lousada Desde 1838 até 1900. Lousada: Edição do Arquivo Histórico e Municipal de Lousada. 2003

- SILVA, José Carlos Ribeiro da - As Capelas Públicas de Lousada. Seminário de Licenciatura em História-Variante Património. Universidade Portucalense Infante D. Henrique (Policopiada). 1997.

- SOUSA, Vítor Albino Brandão de - Monografia de Meinedo. (Policopiada). 1986.

- VIEIRA, José Augusto - O Minho Pitoresco. 2ª Edição, Valença: Edição Rotary de Valença, Tomo II. 1987.

      SILVA, José Carlos Ribeiro - A Casa Nobre no Concelho de Lousada, FLUP, 2007.

 



publicado por José Carlos Silva às 16:29 | link do post | comentar

            I - Definição

 

 

1 - Casa de Real

 

2 - Proprietário/família

      

      Actual -Maria Fernanda Malheiro Guedes Quinhones de Portugal da Silveira

      Antigo - José de Faria de Almeida Queirós

      Apelido - Silveira Queirós

 

3 - Localização.

 

      Lugar - Real de Baixo

      Freguesia - Ordem

      Concelho – Lousada

 

II - Classificação Formal                    

        

 

 

Casa quadrangular com capela adossada

no topo esquerdo da fachada  Oeste

e pátio interior.

                                                                                                                                                                                                                 

                    

1 - Relação entre ambas as construções

 

 

2 - Descrição (arquitectónica) dos edifícios

 

A fachada principal, virada a Oeste, foi dividida, por duas pilastras, em três zonas, criando dois panos simétricos que flanqueiam um pano central, ao qual foi adossada uma escadaria perpendicular à fachada, de um só lanço, com patim, e volutas na parte terminal do corrimão. Os primeiros degraus são semicirculares. No rés-do-chão, do pano central, a ladear a escadaria, duas aberturas molduradas e gradeadas. No andar nobre, ao centro, uma portada moldurada com lintel curvilíneo flanqueada por duas janelas de sacada molduradas a sobrepujar cachorrada. No pano da direita, há uma janela de sacada com lintel curvilíneo; e no pano da esquerda, no rés-do-chão, ostenta uma portada moldurada com lintel sustentado por segmentos côncavos, enquanto no primeiro andar exibe uma janela de sacada com lintel curvilíneo. A fachada Norte evidencia apenas uma janela de peitoril gradeada e a fachada Este apresenta cinco portadas, no rés-do-chão, e uma escada de um só lanço; no primeiro andar, acha-se uma janela de peitoril moldurada e do lado direito uma abertura gradeada.

A fachada Sul foi dividida, verticalmente, por uma pilastra, que criou duas zonas e dois panos simétricos; no rés-do-chão seis janelas de peitoril molduradas e gradeadas (três no pano direito/ três no pano esquerdo), num ritmo muito certo. No primeiro andar vislumbram-se seis janelas de sacada com lintel curvilíneo que sobrepujam cachorrada (três no pano direito/três no pano esquerdo).

A capela está adossada ao topo esquerdo da fachada principal, tendo como invocação Nossa Senhora das Mercês. Apresenta um portal arquitravado com cornija e painel superior coroado por frontão interrompido. Exibe um óculo polifólio, moldurado e gradeado interrompido na base. O frontão é triangular. Uma cruz embolada com uma base em forma de volutas remata o frontão e as pilastras são encimadas por duas urnas fechadas. Na fachada Norte há uma janela rectangular moldurada e gradeada e na fachada Este nota-se a ausência da haste horizontal da cruz, restando tão só a haste vertical e a base.

 

3 - Estado de conservação

 

É bom.

 

4 - Obras/Restauro

       (Datas e que obras foram feitas)

Anualmente são realizadas obras de manutenção.

 

III - Elementos Iconográficos na construção

 

 

 

1 - Pedra de armas

      (Descrição)

 

 Não tem.

 

2 - Cronologia

      (Datas inseridas na construção)

 

Não tem.

 

IV - Outros dados históricos

 

 

A Casa de Real pertenceu a D. Frei Manuel da Cruz, que foi Bispo titular do Maranhão em 1738, e a José Freire Vieira Teixeira de Queirós, que ali nasceu em 1762 e nela faleceu em 1829, tendo sido Fidalgo da Casa Real, Cavaleiro da Ordem de Cristo, Capitão-mor de Leça do Balio e Donatário de S. Miguel de Cacerilhe, concelho de Basto e de Santiago de Rande.132

Segundo o Jornal de Lousada, José Freire da Costa, Abade de Vilarinho, a mando do seu tio e Bispo de Mariana, D. Frei Manuel da Cruz, contratou os mestres pedreiros, naturais da Galiza Pedro Gomes e Manuel Solha para fazerem a construção da casa e capela de Real: “…Dizem-nos Pedro Gomes e Manuel Solha, mestres pedreiros naturais do reino da Galiza que nós estamos contratados com José Freire da Costa, abade de Vilarinho, de lhe fazer uma capela e casa na forma dos apontamentos e risco, tudo bem feito e seguro na forma da ley e nos obrigamos toda a pedra que for necessária para a obra tanto de escoadria como de alcenaria; a pedra de escoadria hade ser colouada no monte de S. João … e elle Reverendo Abbade nos dara a pedra das do Carvalhal e mais o sobrado melhor da caza e escadas do portal fronho e mais a pedra da Caza de Lagoeiros…eu Reverendo Abbade me obrigo a dar-lhes o caldo feito de manhã e à noite e cozer-lhe o pão dando os mestres o gram.133 E segundo o autor deste artigo, este contrato de obra está datado de oito de Março de 1758.

A Casa de Real deve ter vivido, por esta altura o seu período áureo,134 e o ouro do Brasil contribuiu para o esplendor e fortuna desta casa, já que foi por ordem de seu tio, bispo de Mariana, que o Abade de Vilarinho fez o contrato com os já citados mestres pedreiros. As obras atingiram os 868$300 réis.135

 

 

.

V - Situação da Casa

 

 

A Casa de Real fica num alto, e é vista ao longe por todos aqueles que vêm da Vila de Lousada em direcção a Freamunde ou de Vizela: “Ao de cima da egreja vê-se a casa solarenga de Real de Baixo.136 E logo que termina a Avenida da Igreja deparamos com o portão principal que lhe dá acesso e que permite a passagem para um terreiro espaçoso de terra batida donde visualizamos a sua fachada principal, virada a Oeste. Existe ainda outro local de entrada, uns metros abaixo, que nos leva à fachada Sul.

______________________________

 

132 - DINIZ, M. Vieira. - “A Casa De Real”, Jornal de Lousada, (24 de Abril de 1948), p. 1, Cf. FREITAS, Eugeneo de Andrea da Cunha e - o. c., p. 31

133 - DINIZ, M. Vieira. -“A Casa De Real”, Jornal de Lousada, (24 de Abril de 1948), p. 1, Cf. FREITAS, Eugeneo de Andrea da Cunha e - o. c., p. 31. Procurámos este documento nos Arquivos de Braga e Porto e não encontrámos o contrato de obra, e por isso utilizamos o jornal de Lousada como a melhor fonte para dar notícia do mesmo.

134 - DINIZ, M. Vieira. - “A Casa De Real”, Jornal de Lousada, (24 de Abril de 1948), p. 1, Cf. FREITAS, Eugeneo de Andrea da Cunha e - o. c., p. 31

135 - DINIZ, M. Vieira. - “A Casa De Real”, Jornal de Lousada, (24 de Abril de 1948), p. 1, Cf. FREITAS, Eugeneo de Andrea da Cunha e - o. c., p. 31

136 - VIEIRA, José Augusto - o. c., p. 356.

 

VI - Fontes Primárias/Documentais

  

Não encontradas.

 

VII - Bibliografia

 

- À Descoberta do Vale de Sousa-Rotas do Património Edificado e Cultural…Lousada: Editores Héstia. 2002.

- BOAVENTURA, São - Saudades! Saudades! Lousada e os seus homens de há 40 anos. 1899-1939. Lisboa: Sociedade Nacional de Tipografia. 1930.

- Carta Militar de Portugal - Lisboa: Edição do Instituto Geográfico Do Exército. Escala 1: 25 000, Série M888, Penafiel, Folha 112, N.º 4. 1998.

- COSTA, P. António Carvalho da - Corografia Portugueza e Descripçam Topográfica do famoso Reyno de Portugal Com as Noticias das Fundações das Cidades, Villas, e Lugares, que contem, varões ilustres, Genealogias das Famílias nobres, fundações de Conventos, Catálogos dos Bispos, antiguidades, maravilhas da natureza, edifícios, & outras curiosas observaçoens. Segunda Edição. Braga: Typographia Domingos Gonçalves Gouveia, 1868.

- D’ ALMEIDA, José Avelino - Diccionario Abreviado de Chorografia, Topografia, Archeologia das Cidades, Villas e Aldêas de Portugal. Valença: Typographia de V. de Moraes, vol. I. 1866.

- DINIZ, M. Vieira. - “A Casa De Real”, Jornal de Lousada, (24 de Abril de 1948).

- Ecos - Porto: Direcção Geral de Apoio e Extensão Educativa, Coordenação Distrital do Porto, N.º 17. [s/d].

- FREITAS, Eugéneo de Andrea da Cunha e - Carvalhos de Bastos. A descendência de Martim Pires Carvalho, Cavaleiro de Basto. Porto: Edição de Carvalhos de Bastos, vol. II. 1979.

- História das Freguesias e Concelhos de Portugal - Lisboa: Edição do Jornal de Notícias e da Quidnovi, vol. 9. 2005.

- Jornadas Europeias de Património. À Descoberta Do Património Escondido. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 2003.

 - LEAL, Augusto Soares d’ Azevedo Barbosa de Pinho - Portugal Antigo e Moderno Diccionario Geographico, Estatístico, Chorographico, Heráldico, Histórico, Biographico e Etymologico De Todas As Cidades, Villas e Freguezias de Portugal. Lisboa: Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, volume Sexto. 1875.

- Lousada-A Vila e o Concelho. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 1993.

- Lousada-Terra Prendada - Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 1996.

- Lousada (Subsídios para a sua Monografia) - Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada, da Coordenação Concelhia de Lousada e da Direcção Geral da Extensão Educativa. 1989.

- Planta topográfica. Escala: 1:2000. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 2005.

- SILVA, José Carlos Ribeiro da - As Capelas Públicas de Lousada. Seminário de Licenciatura em História-Variante Património. Universidade Portucalense Infante D. Henrique (Policopiada). 1997.

- VIEIRA, José Augusto - O Minho Pitoresco. 2ª Edição, Valença: Edição Rotary de Valença, Tomo II. 1987.

SILVA, José Carlos Ribeiro - A CASA NO CONCELHO DE LOUSADA, FLUP, 2007

 



publicado por José Carlos Silva às 16:24 | link do post | comentar

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