Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Lousada nas corografias e nos dicionários geográficos.

 

No último decénio do séc. XVIII, o lugar do Torrão era “huma pobre aldeya.”8 Pelo menos era assim que o Bacharel Caetano José Lourenço Valle, Corregedor e Provedor da Comarca de Penafiel, via o lugar que mais tarde seria o futuro concelho9 de Lousada: “Pertendem juis de Fora, dizendo que tem boa Caza de Foral, he esta bem ordinária, citta no lugar do Torrão, couza bem insignificante, que não pasa de huma pobre aldeya, sem forma de rua”10 Esta opinião ficou a dever-se a uma hipotética anexação do concelho de Lousada por Penafiel, o que nunca chegou a acontecer.

 

 

 

 

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8 - SOEIRO, Teresa - História Local. Cadernos do Museu. Penafiel: Edição da Câmara Municipal de Penafiel. 2005, p. 151.Cf. AHP - Secção I-II, Cx. 101.

9 - “É uma reunião maior ou menor de freguezias, governadas por um administrador de concelho e representadas por uma municipalidade. Se o concelho é também julgado, tem um tribunal do cível, crime e orphanologico, com juiz ordinário, um sub - delegado do procurador régio, escrivães, officiaes de diligencias, carcereiro, etc. Até 1820, os concelhos tinham muitos privilégios, e inclusivamente o de nomearem os seus juízes, que eram confirmados pelo rei. Hoje esses juízes, assim como a câmara, são de eleição popular, e não precisam de confirmação regia.” LEAL, Augusto Soares d’ Azevedo Barbosa de Pinho - Portugal Antigo e Moderno-Diccionario Geographico, Estatístico, Chorographico, Heráldico, Archeologico, Histórico, Biographico e Etymologico de Todas as Cidades, Villas e Freguezias de Portugal e de Grande Numero de Aldeias. Lisboa: Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão. 1874,volume quarto, p. 492. Cf. BAPTISTA, João Maria - Chorographia Moderna do Reino de Portugal. Typographia da Academia Real Das Sciências, 1875, Vol. II. p. XXIII; COSTA, P. Antonio Carvalho da-Corografia Portugueza e Descripçam Topográfica do Famoso Reyno De Portugal, com as Noticias das Fundações das Cidades, Villas, & Lugares, que contem, varões illustres, Genealogias das Famílias Nobres, fundações de Conventos, Catálogos dos Bispos, antiguidades, maravilhas da natureza, edifícios, & outras curiosas observaçoens. Segunda Edição, Braga: Typographia de Domingos Gonçalves Gouveia, 1868, Tomo I, p. 337-338; é “uma expressão latina concillium e exprime a comunidade vicinal constituída em território de extensão muito variável, cujos moradores-os vizinhos do concelho-são dotados de maior ou menor autonomia administrativa.” In Dicionário de História de Portugal. (Dir.) Joel Serrão. Porto: Livraria Figueirinhas, [s/d], p. 137. Cf. Concelhos. In Dicionário Enciclopédico da História de Portugal. (Coord.) José Costa Pereira. [s/l]: Publicações Alfa, Lda, 1990, p. 146.

10 - AHP - Secção I-II, Cx. 101.

Volvidos quase cem anos José Augusto Vieira, na sua obra: “O Minho Pittoresco” refere-se a Lousada com outras cores, apesar de pouco mais nos informar: “A Louzada antiga, com o seu pelourinho em columna torcida, incompleto já, os antigos paços servindo de cadeia, a rua Direita, torta como a de todas as villas, (…).”11 E nada havia de notável na Vila de Lousada, a não ser a sua “pittoresca situação em um planalto da montanha, de ares puros e lavados, e solo feracissimo nos seus formosos arrabaldes. Para que bem se avalie do largo horisonte e fertilidade d’este solo uberrimo basta subir ao templo dos Afflictos, ou melhor ao adro da capella da Senhora do Loreto, que domina toda a povoação e arrabaldes, e demorar ahi alguns instantes, á sombra dos sobreiros ou oliveiras que a rodeiam. (…) Divide-se, por assim dizer, a villa em duas partes: a moderna e a antiga Louzada; aquella, ainda incaracterística, por estar actualmente em plena germinação, (…), com feição accentuada, das antigas villas portuguezas, de ruas estreitas e praças acanhadas, a lugubre cadeia sob os antigos paços do concelho, uma ou outra viella intransitável, as casas de pequenas janellas com poaes, onde floresce o craveiro encarnado.”12

 Em 1874, era vila, concelho e cabeça de comarca e contava com 2 700 fogos, sendo a comarca composta pelo julgado de Lousada e de Paços de Ferreira. Este último concelho possuía 3 100 fogos, o que perfazia, na comarca, 5 800 fogos. Uma parte do território de Lousada estava afecto ao Arcebispado de Braga, e o restante à Diocese do Porto. Pertencia ao distrito do Porto,13 e era constituído por vinte e sete freguesias.14

 

 

 

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11 - VIEIRA, José Augusto - O Minho Pitoresco. 2ª Edição, Valença: Edição Rotary de Valença, Tomo II. 1987, p. 353-354.

12 - VIEIRA, José Augusto - o. c., p. 353-354. Cf. MOURA, Augusto Soares-Lousada Antiga, Lousada: Edição de Autor, [s/d], vol. I, p. 386, História das Freguesias e Concelhos de Portugal. Matosinhos: Quidnovi, 2004, p.98. Lousada Terra Prendada, Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 1996, p. 132.

13 - LEAL, Augusto Soares d’ Azevedo Barbosa de Pinho - o. c., p. 469.

14 - “ Alentém, Alvarenga, Aveleda, Barrosas (Santo Estêvão), Barrosas (Santa Eulália), Caíde de Rei, Cernadelo, Casais, Covas, Cristelos, Boim, Figueiras, Lodares, Lustosa, Macieira, Meinedo, Nespereira, Nevogilde, Nogueira, Ordem, Pias, Silvares, Sousela, Torno, Vilar do Torno, Lousada (Santa Margarida) e Lousada (S. Miguel).” Cf. LEAL, Augusto Soares d’ Azevedo Barbosa de Pinho -o. c., p. 469.                             

E em 1875, a freguesia de Silvares,15 era a cabeça deste concelho, concelho cuja superfície atingia 766,5 hectares, espaço onde se distribuíam 14 304 habitantes.16

No términos da centúria de oitocentos, Lousada mantinha imutável o número de freguesias, possuíndo Santa Margarida e S. Miguel de Silvares 117 homens e 162 mulheres e 161 homens e 227 mulheres, respectivamente. O concelho, no seu todo, contava com 6523 homens e 8418 mulheres, e pertencia ao distrito e bispado do Porto.17

No dealbar do século seguinte, era um concelho da província do Douro, sendo as suas freguesias sede: - Silvares e Cristelos.18 Silvares que, desde o século XVI tinha contado com a honra de receber pelourinho,19 e, pelo menos desde 1875 se apresentava como cabeça de concelho.20

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15 - LEAL, Augusto Soares d’ Azevedo Barbosa de Pinho - o. c., p. 469.

16- BAPTISTA, João Maria - o. c., p. 692 - 693.

17 - BETTENCOURT, E. A. - Diccionario Chorographico de Portugal e Ilhas Ajacentes contendo as Divisões Admnistrativa; Judicial, Ecclesiástica e Militar Ultimamente Decretadas e indicando todas as cidades, villas, freguezias …., 3ª Edição, Lisboa: Typographia Universal. 1885, p. 104.

18 - Exactamente as mesmas freguesias que Pinho Leal indica na sua obra: “Portugal Antigo e Moderno”. Os corografistas repetem-se e, muitas vezes, enganam-se. Eles mesmo o reconhecem: “Depois os proprios chorographistas vêem-se em papos de aranha para explicar onde é a sede do concelho, ora confundindo Silvares e Louzada, ora tomando as parochias de Santa Margarida e S. Miguel de Louzada, como núcleo central da povoação, quando, averiguado o caso, a villa não é realmente senão uma parte de SILVARES, parte chamada antigamente o Torrão, que se desenvolveu e ampliou, deixando na humilde posição primitiva a velha matriz parochial.” VIEIRA, José Augusto - o. c., p. 353 -  354.

19 - O pelourinho de Lousada é Monumento Nacional por Decreto de dezasseis de Junho de mil e novecentos e dez. “Tem três degraus quadrados em esquadria, todos eles com o bordo superior saliente e boleado. A coluna salomónica assenta numa base quadrada de pouca altura seguida de largo anel boleado. O fuste é expressivo no seu bem delineado enrolamento com os torcidos largos que se desenvolvem da esquerda para a direita. Vem a terminar num anel bem saliente e boleado. Por peça de coreamento possui um tabuleiro quadrangular tronco-piramidal invertido que a meio da sua altura tem molduramento a toda a volta em forma de pequenos cubos. Nos cantos da parte superior ainda se notam as calhas onde pousavam os braços de ferro com argola. A parte terminal do pelourinho já não existe (…). O pelourinho é do século XVI.” SOUSA, Júlio Rocha e - Pelourinhos do Distrito do Porto. Viseu: Edição do Autor. 2000, p. 26 e 48.

20 - PEREIRA, Esteves, RODRIGUES, Guilherme - Portugal, Diccionario Histórico, Chorographico, Biographico, Bibliographico, Heráldico, Numismático e Artístico. Lisboa: João Romano Torres & C.A Editores. vol. IV - L. M, 1909, p. 559. Cf. COSTA, Américo - Diccionario Chorografico de Portugal Continental e Insular, Hydrographico, Historico, Orográfico, Archeologico, Biographico, Heráldico e Etymologico. Villa do Conde: Typograhia Privativa do Diccionario Chorographico. vol. VII, 1940, p. 809 - 810. Guia de Portugal. Entre Douro e Minho - Douro Litoral IV. Fundação Calouste Gulbenkian: 1994, p. 624.

 

1. 1. Lousada pitoresca, política e social.

 

Nas corografias, nos dicionários geográficos, nos jornais, assim como nas monografias, o concelho de Lousada é analisado sobre aspectos pitorescos, políticos e sociais.

 

Prestes a terminar o penúltimo decénio do século XIX, a parte moderna da Vila de Lousada tinha a sua praça ajardinada, com os seus terrenos irregulares, onde se edificava o majestoso templo do Senhor dos Aflitos e o moderno edifício do tribunal. Num recanto da Praça e Largo do Senhor dos Aflitos, ficava a Hospedaria Lousadense.21 Em 1907, a vila assentava numa ampla colina, situada a trezentos metros de altitude, na parte superior do vale do rio Sousa, e era uma das mais “bellas localidades d’ entre Douro e Minho, pois possuía elegantíssimas praças, ruas largas e bem traçadas.”22 Parecia quase não ter história, pois apenas se guardava no arquivo da Câmara Municipal “a carta de foral com que a munificencia d’el Rei D. Manoel a dotou.23  Em 1920, era uma terra de 1385 habitantes, pacata e com o seu casario branco e disperso, e do alto do seu templo podiam abarcar e admirar-se os seus belos e rústicos arredores.24

Lousada era terra do “vinho verde e de latadas, do feijão e do milho, dos jugos trabalhados em madeira entalhada, semelhante às velhas arquibancadas conventuais com seus lindos boizinhos piscos de alta cornadura, de belo desenho em lira, e do carro de eixo móvel girando em admirável cântico vespeiral de louvor a Deus.”25 E como em todo o Entre Douro e Minho, também Lousada “era um alfobre de solares, desde a torre medieval, ao pequeno solar de granito pardo com o portão ameado e brasonado, e a escada exterior, a capela setecentista, aos múltiplos exemplares de arquitectura fidalga e barroca do séc. XVIII.26

Quando o século XIX está prestes a terminar, surge, neste concelho, um grupo de homens talentosos para a política. Lousada se fez comarca, e recortou o solo com estradas, edificou o templo do Senhor dos Aflitos e fundou escolas; pela política e para a política viveu, como se regeneradores e progressistas, ciosos uns dos outros, tivessem um só objectivo: o seu progresso.27

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21 - BOAVENTURA, São - Saudades! Saudades! Lousada e os seus homens de há 40 anos 1899-1939. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 1997, p. 8.

 

Em 1899, chegava a Lousada um novo administrador, de seu nome, São Boaventura28 - um Progressista entre Regeneradores. O concelho, à época, era dominado pelos ideais do partido Regenerador, de que tinha sido chefe o conde de Alentém;29  era presidente da Câmara, José Freire da Silva Neto,30 sendo vereadores, Cristóvão de Almeida Soares de Lencastre, da casa de Alentém, Adolfo Peixoto de Sousa Vilas-Boas, da Casa de Rio de Moinhos, Miguel António Moreira de Sá e Melo, da Casa de Sá, Bernardino Ferreira Coelho, Carlos Augusto da Silva Teles e José Luís da Silva,31 e como secretário  José Teixeira da Mota,32 da Casa do Tojeiro.

Numa visita de cortesia, quando ainda não tinha assumido o cargo de administrador, de um “dos recantos mais maravilhosos de todo o Minho tão lindo e tão pitoresco!”33 foi cumprimentar as mais distintas e ilustres figuras nobres e políticas do concelho. O primeiro foi o Visconde de Lousada34, seguindo-se-lhe o Visconde de Sousela, e ainda teve tempo de se deslocar à Casa da Tapada para conversar com Manuel Peixoto de Souza Freire: “ Não porque fosse politico, mas porque era o maior benemérito dessa nobre terra de Lousada e um homem de rara ilustração e incontestável aprumo moral.”35

 

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22 - SILVA, Augusto Ribeiro da - Villa de Louzada. Jornal de Louzada. Lousada (22 de Setembro de 1907), p. 4.

23 - Guia de Portugal. Entre Douro E Minho - Douro Litoral IV. - o. c., p. 622.

24 - D’ AURORA, Conde - Antologia da Terra Portuguesa. (Direcção Literária de Luís Forjaz Trigueiros e Prefácio do Conde D’ Aurora). Lisboa: Livraria Bertrand, [s/d], p. 17- 18.

25 - D’ AURORA, Conde - o. c., p. 18.

26 - D’ AURORA, Conde - o. c., p. 18.

27- VIEIRA, José Augusto - o. c., p.355.

28 - Augusto Eliseu de São Boaventura, natural de Lisboa, que em 1899 desempenhou o cargo de Administrador em Lousada, e em 1939 publicou as suas memórias: “Saudades! Saudades! ”. Cf. Lousada - Colectânea de Autores Locais. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousaa, 2002, p. 51.

29 - António Barreto de Almeida, senhor da Casa de Alentém. BOAVENTURA, São - o. c., p.  8

30 - Da casa do Carvalho e líder local do Partido Regenerador. BOAVENTURA, São - o. c., p.  8

31 - Todos gente distinta e pertencente às melhores famílias do concelho (…).” BOAVENTURA, São - o. c., p.  8

32 - Director do Jornal de Lousada, que fundou em 1907. BOAVENTURA, São - o. c., p.  8.

33 - BOAVENTURA, São - o. c, p. 8.

34 - O prestigiado líder, local, do Partido Progressista. BOAVENTURA, São - o. c, p. 8.                                                           

Mas Lousada não se quedava só em mostrar as suas belezas pitorescas e o seu fino trato e talento para a política. Era também uma terra que gostava de folgar e de se divertir em bailes - de que já há notícia nos anos setenta, da centúria de oitocentos.37

Nos bailes, dessa época, dançava-se a contra-dança38 e a valsa39 e jogava-se o whist.40 As toilettes nem sempre eram novas, havendo quem distinguisse “ (…) os vestidos novos dos transformados, (…),41 conhecesse “o nome e o preço das fazendas, das rendas e das fitas, o número de metros que em tudo isso se tinha gasto, (…),42 chegando ao ponto de saber quem tinha “fantasiado e executado tanta elegancia, em que dia chegaram do Porto todos os enfeites, e até a gratificação que se tinha dado às recoveiras. (…).43 E apesar  das famílias viverem a grandes distâncias e do baile se realizar no inverno, nada obstava a que se apresentassem com(…) tão boas toilettes!”44

No final do século XIX um baile tinha importância, imponência, distinção, graça e delicadeza, caracterizado que era por um ambiente de bem-estar, de alegria e de sedução. Dançavam-se polcas,45 mazurcas46 e quadrilhas, e as senhoras eram rainhas, os homens seus vassalos, e tinham um lugar do maior destaque; mal assomavam, eram respeitosamente saudadas, levadas pelo braço até ao vestiário, e depois ao salão, onde se lhes fazia a corte.47

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35 - Os Viscondes de Lousada e de Sousela eram os proprietários das casas do Cáscere e do Ribeiro, respectivamente e Manuel Peixoto de Souza Freire era proprietário da Casa da Tapada. BOAVENTURA, São - o. c, p. 8.

36 -“Local de culto das letras e de debate de ideias e ideologias, ali se actualizavam as novidades e se congeminavam estratégias políticas e acções cívicas. Mas foram sobretudo as actividades recreativas [os bailes e as quermesses] que se tornaram memoráveis.” O Século XX em Lousada 100 Factos & Personalidades. Lousada: Edição da Câmara de Lousada. 1999, p. 56.

37 - X - Um Baille Em Louzada. Gazeta de Penafiel. Penafiel. (2 de Fevereiro de 1870), p. 1.

38 - Dança de quatro ou mais pares uns defronte dos outros. Também significa quadrilha. Quadrilha -Dança alegre e movimentada, que originalmete se dançava só com quatro pessoas. Dicionário Ilustrado da Língua Portuguesa - o. c., p. 225.

39 -Dança a três tempos. COSTA, J. Almeida, MELO, A. Sampaio - Dicionário da Língua Portuguesa. 5ª edição, Porto: Porto Editora, LDA, [s/d], p. 1556.

40 - Nome de um jogo de cartas inglês. COSTA, J. Almeida, MELO, A. Sampaio - o.c., p. 1556.

41 - X - Um Baille Em Louzada. Gazeta de Penafiel. Penafiel. (2 de Fevereiro de 1870), p. 1.

42 - X - Um Baille Em Louzada. Gazeta de Penafiel. Penafiel. (2 de Fevereiro de 1870), p. 1.

43 - X - Um Baille Em Louzada. Gazeta de Penafiel. Penafiel. (2 de Fevereiro de 1870), p. 1.

Os bailes eram um acontecimento eminentemente social e político, que acontecia nas casas nobres, na Assembleia Lousadense48 e, porventura, no edifício da câmara. Oportunidade excelente para os senhores da casa apresentarem os seus convidados, estabelecerem convivência, e, nas assembleias, os directores exercerem a correspondente missão.49

E enquanto um baile não se iniciava, os cavalheiros permaneciam junto das damas, prestando-lhe as suas homenagens; se dançavam, primeiro pediam licença à mãe ou pessoa respeitável que as acompanhava, e só depois de concedida a autorização, podiam tirar o seu par.

Quando o século vinte estava a um decénio de alvorecer sobre o esplendoroso templo do Senhor dos Aflitos, a nobre Lousada dançava, recitava, cantava, ao som do piano, e “As lindas, lindas? Lindíssimas! Senhoras da aristocracia lousadense formavam um precioso ramalhete das mais belas e das mais perfumadas flores e os rapazes eram finos, respeitosos, educados. 50 Eram os cavalheiros que serviam o chá, a ceia e o chocolate, e quando o sol já irrompia, e o baile terminava, acompanhavam as damas aos carros, que as levavam às suas casas.51

Naquela época, os bailes da Assembleia Lousadense “deram brado, (…)”52 perdurando no fio indelével da memória colectiva da fina e deslumbrante Lousada.

                                                                                                                                       

________________________________

                                                                                  

44 - X - Um Baille Em Louzada. Gazeta de Penafiel. Penafiel. (2 de Fevereiro de 1870), p. 1.

45 - “Espécie de dança boémia, e respectiva música a dois tempos.”. COSTA, J. Almeida, MELO, A. Sampaio - o. c., p. 1119.

46 - “Dança a três tempos, originária da Polónia.” COSTA, J. Almeida, MELO, A. Sampaio - o. c., p. 925.

47 - BOAVENTURA, São - o. c. p. 20.

48 - A Assembleia Lousadense era o ponto de encontro, por excelência, para onde convergia toda a aristocracia lousadense, principalmente a partir dos finais do século XIX. Foi fundada em 1864. O Século XX em Lousada, p. 56.

49 - BOAVENTURA, São - o. c., p. 20.

50 - “Havia animação, palpitavam corações, surgia o amor. (…). Os bailes da Assembleia Lousadense eram assim. (…). Assisti ao baile oferecido no Quai de Orsay, em honra de D. Carlos I, que maravilha! (…) Mas os bailes de Lousada!”BOAVENTURA, São - o. c.,p. 20.                                                                                                                                                                                                               

51 - BOAVENTURA, São - o. c., p. 20.  

52 - BOAVENTURA, São - o. c., p. 20.

 SILVA, José Carlos - Tese de Mestrado: «Casa Nobre No Concelho de Lousada», FLUP, 2007

 



publicado por José Carlos Silva às 20:06 | link do post | comentar

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