Domingo, 6 de Dezembro de 2009

O primeiro proprietário desta casa foi Paulo da Cunha Coutinho Osório, que casou em Macieira em 1636, tendo sido Capitão-mor do concelho de Unhão; sucedeu-lhe seu filho Manuel da Silva Osório Pinto da Fonseca, que também deteve o cargo de Capitão - mor do mesmo concelho de Unhão.475 Em 1865, Carlos Vieira de Mello da Cunha Osório, integrou a Comissão Municipal que secundou a “Direcção do Palácio de Cristal Portuense na sua Exposição Internacional,476 acontecimento que teve lugar a 21 de Agosto do dito ano, foi proprietário desta casa. Seu filho, Eduardo Vieira de Melo da Cunha Osório, foi um dos principais impulsionadores do Republicanismo em Lousada.477

É uma residência que foi submetida a alterações no decorrer dos anos, tendo o último restauro sido total,478 quer no interior, quer no exterior. Vários elementos arquitectónicos: capiteis, colunas medievais, volutas, ornatos, portas tardo - medievais -sobrevivem, espalhados um pouco por toda a casa, e “foram trazidos de algum edifício religioso da vizinhança.479

Apresenta uma planta simples, quadrangular, “e é um bom exemplo da casa nobre rural do século XVIII, provavelmente ainda do segundo quartel do século XVIII, como parece depreender-se da escadaria lançada perpendicularmente contra a fachada; conserva as volutas terminais, num tipo relativamente frequente para essa época.480 É de um só lanço e com patim.

No rés-do-chão, da fachada principal, que está virada para Oeste, expõe duas aberturas molduradas, gradeadas, uma de cada lado da escadaria, enquanto no primeiro andar, ao centro, apresenta uma portada, que ”parece tratar-se de tipo medieval,”481com um lintel bilobado composto de arcos crescentes, sendo o exterior arredondado estendendo-se ao longo dos umbrais, terminando da parte inferior, em espiral; o lintel foi mutilado com o objectivo de dar maior altura à porta.482 À direita, duas janelas de sacada molduradas com lintel curvilíneo, quatro óculos em forma de quadrifólios moldurados, e vários ornatos sobre o telhado, um deles com o brasão483 a sobrelevar a cornija. A pedra de armas é dos “Cunha.484

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473 - NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da - o. c., p. 26. Cf. Revista de Lousada. In Suplemento do Jornal Terras do Vale de Sousa (19 de Setembro 1991), p.23. “E a fachada principal foi edificada propositadamente para os seus salões receberem o Rei D. Miguel, que por fortuna das armas nunca aí se chegou a deslocar. E a mistura das alças brancas com outras de granito à vista e pedra aparelhada ou assente em argamassa unida nas juntas, constitui uma característica vulgar na edificação da casa nobre.”

474 - Segundo o proprietário João Maria Cabral Peixoto de Magalhães, esta residência foi alvo de vários acrescentos em épocas bem distintas.

475 - NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da - o. c., p. 344.

476 - Presidentes da Câmara Municipal de Lousada Desde 1838 até 1900, p. 50. Cf.  NÓBREGA, Artur Vaz-Osório - o. c., p. 344.

477- Presidentes da Câmara Municipal de Lousada Desde 1838 até 1900, p. 50

478 - Segundo Fernando Guedes, proprietário desta casa.

479 - AZEVEDO, Carlos de - o. c., p. 149. A mesma informação nos foi dada pela proprietária da casa de Juste.

480 - AZEVEDO, Carlos de - o. c., p. 149.

481 - MIRANDA, Abílio. - o. c., p. 12.

482 - NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da - o. c., p. 61.

483 - NÓBREGA, ArturVaz-Osório da - o. c., p. 61.

484 - NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da - o. c., p. 61.

Na fachada Norte, há uma janela de pendor manuelino. Bonfim Barreiros, afirma que no Minho não são muitas “as janelas medievais e quinhentistas que se mantêm de pé,”485 para de imediato referir que existe “a da casa de Juste, em Lousada, de maior riqueza de decoração.”486 Esta é uma janela com remate superior bilobado, constituído por duas molduras, sendo a externa composta por frontão de diamante e a interna por um cordão que termina a meio de uma carranca, e sob os arcos duas cruzes formadas por losangos, sendo coroada por uma ornamentação serpenteante e simétrica.487 A fachada Sul, no rés-do-chão, tem duas portadas e três janelas de peitoril molduradas; no primeiro andar, quatro janelas de sacada, e a “chaminé é grande, subindo com a mesma largura da base.”488

A fachada Este, rés-do-chão, apresenta uma janela de peitoril gradeada, e no primeiro andar, uma janela de sacada com lintel curvilíneo; o alpendre é composto por cinco colunas, e as escadas são de um só lanço e divergentes, quatro óculos em forma de quadrifólios e duas portadas compõem o ritmo da construção. Na base das escadas descobre-se uma pedra com duas volutas insculpidas coroadas por uma concha. Na fachada Sul, na parte do pátio interior, há, no rés-do-chão, três janelas de peitoril -uma gradeada - e duas portadas. No primeiro andar vêem-se três janelas igualmente de peitoril.

A capela da Casa de Juste, no topo esquerdo da fachada Norte, forma um ângulo recto, e tem como invocação Santo António: “ (…) com um sò altar, que está na Quinta de Juste, e pertence a Dona Josefa Brochado, e seus filhos da mesma Quinta, a qual cappella tem mais a imagem de São Gonçalo de Amarante, e a da Senhora do Rozario; e nem èsta, nem a de Sam Sebastião tem romagem.”489

A fachada principal, virada a Oeste, é rasgada por um portal moldurado, tendo ao centro um óculo moldurado, e a empena é rematada por um campanário de arco de volta perfeita, coroado por uma cruz latina e dois pináculos, sendo as pilastras encimadas por pináculos. Na fachada Norte, uma abertura moldurada. A fachada Este, ostenta uma cruz de trevo que coroa a empena; patenteando a fachada sul, uma portada e duas aberturas molduradas.

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485 - BARREIROS, G. Bonfim - Janelas Portuguesas. Porto: Livraria Galaica, Depositaria, [s/e], p. 10.

486 - MIRANDA, Abílio. - o. c., p. 12.

487 - MIRANDA, Abílio. - o. c., p. 12.

 488 - OLIVEIRA, Ernesto de Oliveira; GALHANO, Fernando - o. c., p. 121.

489 - I. A. N. / T. T. - Dicionário Geográfico, 1758. vol. 36, fl. 569.

 



publicado por José Carlos Silva às 15:29 | link do post | comentar

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