Domingo, 21 de Março de 2010

1 – Casa de Rio de Moinhos

 

2 – Proprietário actual/família.

      

      Actual – D. Maria Antónia Bacelar de Ataíde Pavão.

      Antigo – D. Maria da Conceição Vaz Guedes de Sousa Homem Bacelar Teles.

      Apelido – Ataíde Pavão.

 

3 – Localização.

 

      Lugar – Rio de Moinhos

      Freguesia – Figueiras

      Concelho – Lousada

 

II – Classificação Formal

                                                                    

 

Casa com planta em U e capela

que forma um ângulo recto no

topo da fachada Oeste.                                                                  

 

1 – Relação entre ambas as construções.

 

2 – Descrição (arquitectónica) dos edifícios.

 

 

É uma casa com planta em U e capela que forma um ângulo recto no topo esquerdo da fachada Oeste.

A fachada principal, virada a Oeste, foi dividida em três corpos, por duas pilastras, e o corpo principal, apresenta uma certa axialidade, com a escadaria lançada na perpendicular contra a fachada, de um só lanço, com patim e gradeamento, e ao centro um portal arquitravado com lintel e curvilíneo e ressalto, sobrepujado, ao centro, por um ornato em forma de rosa, e tendo uma cornija de ressalto, sendo esta encimada por um florão ornado por uma concha, e duas janelas de peitoril molduradas de lintel, coroadas por um ornato em forma de rosa e com uma cornija de ressalto. A pedra de armas sobrepuja o ornato em forma de florão e é flanqueada por duas janelas de peitoril molduradas com lintel curvilíneo e foi mandada esculpir e colocar na frontaria desta casa por Manuel Pinto Vaz Guedes Bacelar Sarmento Pereira de Morais Pimentel, 4º Visconde de Montalegre.153 E é uma pedra de armas dos: “ Pinto, Guedes, Morais, Bacelar154 Na mansarda, acrescentada no início do século XX,155 há quatro janelas de peitoril molduradas, e na cozinha adossada ao topo da fachada direita, uma pequena janela de peitoril, na vertical, e uma abertura gradeada, na vertical, e na fachada Norte, três pequenas aberturas quadrangulares, sendo duas delas gradeadas e envidraçadas.

______________________________

153 – NÓBREGA, Artur Vaz – Osório – o. c., p. 199.

154 - NÓBREGA, Artur Vaz – Osório – o. c., p. 199.

155 – Segundo D. Maria Antónia Bacelar de Ataíde Pavão.

No corpo da direita, no rés-do-chão, uma portada e uma janela de peitoril moldurada gradeada, no primeiro andar, duas janelas molduradas gradeadas com lintel curvilíneo, e no corpo da esquerda, no rés-do-chão, duas portadas molduradas e uma janela de peitoril moldurada e gradeada, e no primeiro andar, três janelas de peitoril molduradas e gradeadas com lintel curvilíneo.

A fachada principal da capela156 apresenta-se dividida em três corpos por duas pilastras, e no corpo central apresenta um portal arquitravado com lintel curvilíneo, com fecho ao centro e cornija de pequeno ressalto, e no pano superior, uma janela moldurada de peitoril de lintel curvilíneo, interrompido por um relógio, tendo no corpo da direita uma abertura moldurada, rectangular e envidraçada e no pano superior uma janela de peitoril moldurada com painel e cornija de pequeno ressalto, com janela envidraçada.

O corpo da esquerda é em tudo igual ao da direita, com uma abertura moldurada, rectangular e curvilínea; e no pano superior uma janela de peitoril moldurada com painel e cornija de pequeno ressalto, e as pilastras são encimadas por urnas fechadas. Remata o corpo central um campanário com dois arcos de volta perfeita, e dois sinos, adossados a duas colunas que são sobrepujadas por duas urnas fechadas, tendo uma esfera armilar que encima uma base formada por duas volutas e na sua face um ornato em forma de relógio de sol, e uma cruz de Cristo vazia sobrepuja a esfera armilar. E a fachada Norte tem duas janelas molduradas com lintel curvilíneo e uma portada que rasga o pano da parede, e a fachada Oeste apresenta uma janela moldurada, rectangular e na vertical.

A fachada Norte, da casa, de uma zona que foi sempre de lazer, virada para o largo terreiro quadrangular, apresenta três janelas de peitoril, duas portadas e três aberturas rectangulares molduradas, estas últimas junto ao chão, e duas escadarias de um só lanço, tendo uma parte inacabada, que sempre assim foi, com duas janelas molduradas e um portal com cornija.

________________________________

 

156 - “Auto de medysam e apegasam, fixa na herdade das ribeyrynhas sita na freguesia de Santiago de figueiro Honra de Sobroza Conselho de Aguiar de Sousa que o pesuia Domingos Ribeyro e sua molher maria Antónia moradores na dita herdade das ribeyrinhas. Acool herdade he foreira a capella de nosa senhora da vida que esta sita no lugar de Rio de moinhos da freguesya de som joão de Covas de quem he fabriquero Manoel Teles meneses esua molher D. Josefa de meyrelles e Bernardes moradores na sua quinta de Rio de moinhos.” A. P. C. R. M – Documento – Auto de medysam e apegasam … [s/d.]

 

Na fachada Sul, a zona do “salão de jogos”, tem no rés-do-chão três janelas rectangulares, molduradas, de lintel curvilíneo e envidraçadas, e duas portadas molduradas com lintel curvilíneo, e no primeiro piso, cinco janelas molduradas com lintel curvilíneo, sendo a janela do lado esquerdo gradeada. Na parte mais antiga, fachada Sul, há uma janela gradeada e uma portada, e na fachada Oeste, no rés-do-chão, duas janelas de peitoril, no primeiro andar, cinco janelas de peitoril.

Na fachada Este, exibe, no rés-do-chão, uma janela de peitoril rectangular, seis aberturas, sendo uma delas ovaladas e gradeada e cinco apresentam um ferro na horizontal; e duas portadas, sendo uma moldurada, e no primeiro andar podem-se ver cinco janelas de sacada molduradas a sobrepujarem cachorrada e duas janelas, numa só sacada. E na fachada Norte, vê-se uma portada moldurada com lintel curvilíneo e no primeiro andar duas janelas de peitoril molduradas e gradeadas.

 

3 – Estado de conservação.

É bom.

 

 

4 – Obras/Restauro

       (Datas e que obras foram feitas).

 

No Séc. XIX, a entrada principal tinha sido delineada a Nascente, sendo actualmente a Poente, e as mansardas foram edificadas no início do séc. XX pelo trisavô da actual proprietária desta casa. Esta foi rebocada e pintada de ocre amarelo ou branco, em épocas distintas, como provam as fotografias mais antigas. Há perto de trinta anos levou um telhado novo, e em 2003 foi objecto de restauro.157

________________________________

 

157 - Segundo informação da proprietária desta casa.

 

III – Elementos Iconográficos na construção.

 

1 – Pedra de armas

      (Descrição)

 

A pedra de armas foi mandada esculpir e colocar na frontaria da Casa de Rio Moinhos por Manuel Pinto Vaz Guedes Bacelar Sarmento Pereira de Morais Pimentel, 4º Visconde de Montalegre.

O escudo é de fantasia e coronel de Visconde (não tem as pérolas menores). – Pode-se ver um motivo fitomórfico (folhas de acanto estilizadas) que decora exteriormente o escudo.158

________________________________

 

158 - NÓBREGA, Artur Vaz – Osório –o. c.,. 1999,  p. 199.

 

 

Escudo:

 

        Composição: esquartelada.

 

 

Leitura:

 

          I  PINTO                                                       (1)

          II GUEDES                                                   (2)

          III MORAIS (moderno)                                (3)

          IV BACELAR                                               (4)

 

 

(1)   Cinco crescentes.

(2)   Cinco flores – de – lis. Indicado o esmalte do campo: azul.

(3)   Partido: o I com uma torre torreada, coberta, rematada por uma bandeira, a torre assente num pé de água; o II com uma amoreira arrancada. Na pedra de armas temos uma torre coberta, por um motivo geométrico decorativo, com uma bandeira hasteada na parte dextra do ameado da torre, a qual está assente num terrado, e a amoreira está plantada num cômoro firmado no bordo inferior do escudo, com parte das raízes visível. Indicado o esmalte do campo do I: vermelho.

(4)   Um bacelo de duas varas passadas em aspa ao meio do chefe, frutado de quatro peças, duas em cada vara. Indicou-se o metal do campo: ouro.159

 

 

2 – Cronologia

      (Datas inseridas na construção).

 

- No portão da casa: 1872

________________________________

 

159 - NÓBREGA, Artur Vaz – Osório –o. c.,. 1999,  p. 199.

IV – Outros dados históricos.

 

- No sentido da capela para a casa, chegou a haver outra escadaria. 160

segundo a Senhora da Casa de rio de Moinhos.

 

V – Situação da Casa.

 

A Casa de Rio de Moinhos fica no lugar do mesmo nome, e situa-se a poucas centenas de metros da estrada nacional. Acede-se por um portão de idêntica tipologia e de época muito similar à da casa de Vila Verde. O portão é de ferro forjado e artisticamente trabalhado e permite a passagem para um largo terreiro quadrangular, fechado, com dois pequenos portões de ferro forjado, um a norte e outro a sul. Ao transpormos o portão principal, deparamos de imediato com a fachada principal desta casa.

 

________________________________

 

160 - Segundo informação da proprietária desta casa.

VI – Fontes Primárias/Documentais

   

A. P. C. R. M – Documento – Auto de medysam e apegasam … [s/d.]

 

 

VII – Bibliografia

 

- Agenda do Professor – Lousada: Edição Câmara Municipal de Lousada, 2002.

- À Descoberta do Vale do Vale do Vale de Sousa – Rotas do Património Edificado e Cultural…2ª Edição. Paços de Ferreira: Editores Héstia, 2002.

- CARDOSO, Luís, P. – Dicionário Geográfico, ou Noticia Histórica de Todas as Cidades, Vilas, Lugares, e aldeias, Rios, Ribeiras, e Serras dos Reinos de Portugal, e Algarve, com todas as Coisas raras, que neles se encontram assim antigas, como modernas. Lisboa: Regia Oficina Sylviana, da Academia Real, Tomo II, MDCCLI

- Carta Militar de Portugal – Lisboa: Edição do Instituto Geográfico Do Exército. Escala 1: 25 000. Série M888. Penafiel. Folha 112. Edição 4 – IGE. 1998.

- COSTA, António Carvalho da – Corografia Portugueza e Descripçam Topográfica do famoso Reyno de Portugal Com as Noticias das Fundações das cidades, Villas, e Lugares, que contem, Varões ilustres, Genealogias das Famílias nobres, fundações de Conventos, Catálogos dos Bispos, antiguidades, maravilhas da natureza, edifícios, & outras curiosas observaçoens. Segunda Edição. Braga: Typographia Domingos Gonçalves Gouveia. 1868.

- Dicionário Enciclopédico Das Freguesias – Lisboa: Edição da ANAFRE. 1996.

- História das Freguesias e Concelhos de Portugal – Lisboa: Edição do Jornal de Noticias e da Quidnovi. Vol. 9, 2005.

- D’ ALMEIDA, José Avelino – Diccionario Abreviado de Chorografia, Topografia, Archeologia das Cidades, Villas e Aldêas de Portugal. Valença. Typografia de V. de Moraes. Vol I, 1866.

- Jornadas Europeias de Património. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada, 2003.

- LOPES, Eduardo Teixeira – Lousada e as suas freguesias na Idade Média. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 2004.

- Lousada – A Vila e o Concelho. Lousada: Edição Câmara Municipal de Lousada. 1993.

- Lousada – Terra Prendada – Lousada: Edição Câmara de Lousada, 1996

- Lousada (Subsídios para a sua Monografia) – Lousada: Coordenação Concelhia de Lousada. Direcção Geral Da Extensão Educativa, 1989.

- Planta topográfica. Escala: 1/2000. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada, 2005.

- O Nosso Concelho – Lousada. Lousada: Edição Empresa Editora, 1998.

- Revista Portugal Local – Lousada Terra Singela Como A Flor do Linho. Lousada: Edição Câmara Municipal de Lousada, Nº 5, 1996.

 

 

 

 

 



publicado por José Carlos Silva às 12:22 | link do post | comentar

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